Dr. Juan Aquino

Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência.

Dor nas costas no tênis pode ter origem muscular, como distensões e espasmos popularmente chamados de contraturas. Sentir dor após jogar não significa, por si só, ter uma hérnia de disco ou uma lesão grave na coluna.

Saque, rotações e deslocamentos exigem bastante da musculatura. Este guia destaca essas causas e os sinais que merecem investigação; lesões de ombro, cotovelo e membros inferiores também precisam de avaliação própria.

Além da Coluna: Outras Lesões Ortopédicas

Cotovelo: tendinopatia conhecida como cotovelo do tenista. Ombro e punho: sobrecarga de tendões durante golpes repetidos. Tornozelo e panturrilha: entorses e distensões nos deslocamentos. São possibilidades em homens e mulheres; o local da dor deve orientar o exame, sem atribuir tudo à coluna.

Inchaço importante, deformidade, travamento articular ou dificuldade para apoiar o membro merecem avaliação. A consulta pode indicar acompanhamento com especialista em ombro, joelho, mão ou medicina esportiva, conforme o problema.

Distensões e Contraturas Musculares no Tênis

As causas musculares merecem destaque na avaliação da dor lombar do tenista. Movimentos rápidos, rotações do tronco e mudanças na carga de treino podem provocar sobrecarga e distensões. Nem toda dor representa uma lesão do disco, de uma vértebra ou de um nervo.

Distensão muscular: é uma lesão do músculo ou da união entre músculo e tendão, com gravidade variável, desde dano leve até ruptura de fibras. Pode ocorrer durante um movimento brusco e causar dor, sensibilidade e dificuldade para executar o golpe.

Contratura muscular: no uso cotidiano, o termo costuma descrever tensão ou espasmo doloroso, com sensação de musculatura endurecida ou de costas travadas. Isso não significa necessariamente ruptura de fibras. O espasmo também pode acompanhar outras causas de dor, por isso não confirma sozinho o diagnóstico.

Dor localizada que piora ao contrair ou movimentar o tronco pode ter componente muscular, mas o exame clínico é necessário quando a dor persiste, é intensa ou volta repetidamente. A recuperação depende da gravidade e da adaptação da carga: não existe um prazo único para todas as distensões e contraturas.

Por Que Observar o Saque?

O saque envolve pernas, pelve, tronco e braço. Concentrar a análise apenas na lombar pode deixar de lado como o corpo inteiro executa a tarefa. Registre se a dor aparece na preparação, na aceleração ou na finalização do golpe.

Um estudo com 20 tenistas adolescentes de elite encontrou diferenças de mobilidade e movimento entre jogadores com e sem histórico de dor lombar. A amostra pequena não estabelece uma técnica universalmente segura nem permite atribuir toda dor ao saque.

Dor Localizada ou Sintoma Nervoso?

Dor nas costas e dor que se espalha para a perna são situações diferentes. Formigamento persistente, fraqueza ou dificuldade para controlar o pé exigem avaliação. O lado da dor não define sozinho sua causa.

Confira dor ciática. Em jovens com dor recorrente ao arquear o tronco, a investigação também pode considerar espondilólise.

O Que Discutir com o Professor?

Relate quais golpes provocam dor, quantos saques costuma treinar e se houve aumento recente de aulas ou partidas. Reduzir temporariamente a repetição do gesto doloroso pode ser uma opção a discutir.

Professor e fisioterapeuta podem trabalhar juntos na adaptação da execução e da preparação física. Copiar uma mudança técnica de outro jogador não equivale a tratar a causa da sua dor.

Saibro ou Quadra Dura: O Que Muda para o Corpo?

O piso muda a aderência do calçado e a forma de frear e se deslocar. Isso não permite concluir que uma superfície seja sempre mais segura para a coluna.

PisoDiferença prática
SaibroEm geral, facilita o deslizamento. O jogador precisa adaptar a técnica de frenagem e o controle do movimento.
Quadra duraCostuma oferecer maior atrito com o calçado, modificando as paradas e mudanças de direção. Há diferenças entre os revestimentos.

Em um estudo com 3.656 tenistas recreativos, não houve diferença significativa na frequência geral de lesões entre os pisos analisados. Houve mais lesões por sobrecarga nos membros inferiores na quadra dura. Esses resultados não demonstram que o saibro previna hérnia de disco ou dor lombar. Veja o estudo de Pluim e colaboradores.

Ao trocar de piso: adapte gradualmente a duração e a intensidade das sessões, converse com o professor sobre deslocamentos e calçado e observe a resposta do corpo. Dor persistente exige avaliação; trocar de quadra não substitui o tratamento.

Dr. Juan Aquino com seu primo, segurando raquetes de tênis na quadra do Fluminense, em Laranjeiras.
Dr. Juan jogando tênis com seu primo no Clube do Fluminense, em Laranjeiras.

Fisioterapia na Recuperação e no Retorno ao Tênis

A fisioterapia tem papel importante na recuperação após uma lesão e na preparação para voltar ao esporte. O acompanhamento deve recuperar capacidade funcional, com orientação e exercícios progressivos, além de controlar sintomas. A indicação e as restrições dependem da avaliação de cada caso.

A avaliação pode incluir coluna, quadris, ombros, força e controle de tronco, conforme a lesão. O saque envolve extensão e rotação, enquanto os deslocamentos exigem acelerações e frenagens; essas demandas precisam ser recuperadas progressivamente.

Treino leve com bola, trocas controladas, deslocamentos mais intensos e saques não precisam voltar todos no mesmo dia. Fisioterapeuta e professor podem ajustar volume, potência e duração, observando a resposta durante a sessão e nas horas seguintes.

O retorno não deve depender apenas de ter passado um número de dias ou de a dor ter diminuído. Força, mobilidade, tarefas esportivas e confiança precisam ser avaliadas junto à equipe. Conheça o guia de fisioterapia para coluna e os critérios de retorno ao esporte.

Como Retomar a Quadra?

Uma possibilidade é começar com tarefas controladas e sessões curtas, progredindo para deslocamentos, golpes mais exigentes e jogos conforme a avaliação. O saque precisa ser retomado de acordo com a tolerância, especialmente quando foi o gesto associado à queixa.

Registre duração da sessão e resposta durante e depois da atividade. Uma troca de bolas confortável não demonstra necessariamente preparo para uma partida longa ou torneio.

Tenistas Famosos que Tiveram Dor nas Costas ou Lesões na Coluna

João Fonseca, Novak Djokovic e Pete Sampras estão entre os tenistas que precisaram interromper competições por problemas nas costas. Entre as mulheres, há registros envolvendo Venus e Serena Williams, Aryna Sabalenka e Paula Badosa. Os diagnósticos e a duração dos afastamentos foram diferentes: uma notícia sobre dor lombar não confirma, por si só, hérnia de disco ou fratura.

Imagem ilustrativa gerada por IA: raquete e bola de tênis em quadra de saibro em um dia ensolarado.
Imagem de capa ilustrativa gerada por inteligência artificial: raquete e bola em quadra de saibro, em um dia ensolarado.

João Fonseca: Afastamento de Brisbane e Adelaide em 2026

O brasileiro desistiu dos torneios de Brisbane e Adelaide, em janeiro de 2026, por uma lesão na região lombar. A ATP registrou que o problema atrasou seu início de temporada. Após a participação no Australian Open, Fonseca declarou que as costas estavam recuperadas, embora a falta de ritmo de competição tivesse prejudicado seu desempenho.

As fontes citadas descrevem uma lesão lombar, mas não apresentam detalhes suficientes para classificá-la aqui como hérnia de disco ou fratura. Também não detalham um protocolo específico de tratamento. Fonte: ATP — afastamento de Adelaide; declaração após o Australian Open.

Novak Djokovic: Dor Limitando a Rotação do Saque

Em setembro de 2011, Djokovic abandonou a partida contra Juan Martín del Potro na semifinal da Copa Davis após piora de um problema nas costas. Depois, anunciou que não disputaria o torneio de Pequim. No comunicado em seu site oficial, explicou que a lesão limitava a rotação do tronco durante o saque e que ainda sentia dor ao testar as batidas.

Djokovic relatou repouso e sessões de tratamento para se recuperar. O comunicado não identifica uma hérnia de disco nem permite especificar quais técnicas terapêuticas foram utilizadas. Fonte: Copa Davis/ITF; comunicado oficial de Djokovic, 29/09/2011.

Pete Sampras: Hérnia de Disco L5–S1 e Ausência no US Open de 1999

Sampras não disputou o US Open de 1999 após uma lesão nas costas durante um treino. Na entrevista coletiva de 31 de agosto, o médico Brian Hainline descreveu uma pequena hérnia de disco em L5–S1, identificada por exames. O tenista relatou dificuldade até para se movimentar no quarto do hotel e tratamento duas vezes ao dia.

O plano divulgado envolvia afastamento do esforço competitivo e reabilitação. O médico estimou retorno pleno em um a dois meses, caso a evolução fosse favorável — uma previsão daquele momento, não um prazo garantido para qualquer paciente. Ele também esclareceu que repouso não significava permanecer deitado continuamente. Fonte: entrevista de Sampras e do médico no US Open, 31/08/1999.

Venus Williams: Ausência em Wimbledon em 2013

Venus Williams anunciou que não participaria de Wimbledon em 2013 devido a uma lesão nas costas. A Reuters registrou o afastamento e informou que ela já havia deixado a disputa de duplas de Roland Garros. A notícia confirma a interrupção competitiva, mas não detalha diagnóstico anatômico ou tratamento; por isso, não é adequado atribuir a ela uma hérnia ou uma fratura com base nesse relato. Fonte: Reuters, reproduzida pelo Stabroek News, 19/06/2013.

Serena Williams: Abandono da Final de Toronto e Ausência em Cincinnati

Em agosto de 2019, Serena Williams abandonou a final de Toronto contra Bianca Andreescu por um problema nas costas. Dois dias depois, a WTA anunciou sua desistência de Cincinnati pelo mesmo motivo. Serena havia tentado se preparar, mas relatou que ainda não estava em condições de entrar em quadra. A informação publicada não estabelece uma lesão estrutural específica da coluna. Fonte: WTA, 13/08/2019.

Aryna Sabalenka: Tratamento e Pausa nos Treinos em Roma

Em Roma, em maio de 2024, Sabalenka teve um problema lombar durante a partida contra Elina Svitolina e precisou de atendimento médico. Segundo a WTA, deixou de treinar no dia seguinte e dedicou boa parte do dia ao tratamento. Após testar o corpo no aquecimento, conseguiu disputar a partida seguinte contra Jelena Ostapenko.

Nesse episódio, houve pausa nos treinos e tratamento, mas não retirada do torneio. O relato não autoriza concluir que ela teve fratura ou hérnia de disco. Fonte: WTA, 15/05/2024.

Paula Badosa: Fratura por Estresse e Tratamento Prolongado

Badosa sofreu uma fratura por estresse nas costas em 2023 e encerrou sua temporada após Wimbledon. Em entrevista à WTA em abril de 2024, relatou dor persistente e uso de injeções de cortisona para tentar controlar os sintomas e continuar competindo. É um caso com diagnóstico divulgado e impacto prolongado na carreira.

Esse relato de tratamento não significa que corticoides consolidem fraturas ou sejam indicados para toda dor lombar. Não é possível definir o local e a técnica das aplicações apenas pela entrevista. A indicação de qualquer procedimento exige avaliação individual. Fonte: entrevista de Paula Badosa à WTA, 21/04/2024.

O Que Esses Casos Ensinam ao Tenista Amador?

Dor muscular, lesão discal e fratura por estresse são situações diferentes. Os exemplos de atletas mostram que pode ser necessário interromper treinos ou competições, mas não determinam o seu diagnóstico nem o prazo de recuperação. Não copie o tratamento ou o retorno de um profissional. A decisão depende dos sintomas, do exame físico e da evolução de cada pessoa.

Para aprofundar, veja hérnia de disco: sintomas e tratamento e espondilólise e espondilolistese.

Perguntas Frequentes

Toda dor lombar no tênis é hérnia de disco? Não. Sobrecarga muscular, distensões e espasmos são possibilidades que precisam ser consideradas. A localização e a intensidade da dor, isoladamente, não distinguem essas causas de problemas no disco ou em outras estruturas.

Jogar duplas protege a coluna? Pode mudar a demanda de deslocamento, mas ainda exige golpes e reações rápidas. Não é uma liberação automática.

Trocar a raquete resolve? Equipamento pode ser discutido com o professor, mas não substitui a investigação de dor persistente.

Quem tem hérnia precisa abandonar o tênis? Não necessariamente. A decisão considera sintomas, exame físico, evolução e nível de prática.

Quando Procurar Atendimento Urgente?

Procure emergência após trauma importante ou diante de fraqueza progressiva, dormência íntima, dificuldade nova para urinar ou perda de controle da urina ou das fezes.

Avaliação da Coluna no Rio de Janeiro

Se a dor limita sua prática ou reaparece nos treinos, leve à consulta os exames disponíveis e um relato da sua rotina esportiva. A avaliação ajuda a definir a investigação e o plano de recuperação.

Fontes e Leitura Complementar

Mueller-Wohlfahrt e colaboradores — Consenso de Munique sobre lesões musculares no esporte (2013)

AOSSM — Lesões no tênis e distensões musculares

AAOS — Distensões e outras lesões de partes moles

Campbell e colaboradores — Dor lombar e movimento do saque

Pluim, Clarsen e Verhagen — Lesões em tenistas recreativos e tipos de piso (2018)

NHS — Sinais de alerta na dor nas costas

MedlinePlus — Retorno ao esporte após lesão nas costas

Conteúdo educativo. A avaliação individual orienta diagnóstico, tratamento e liberação para o esporte.

Imagem de capa ilustrativa gerada por inteligência artificial: raquete e bola em quadra de saibro, em um dia ensolarado.

Leia também: Tênis de Mesa e Coluna: Dor Lombar e Cuidados após os 50 Anos.