Dr. Juan Aquino

Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.

O tênis de mesa pode fazer parte de uma rotina ativa após os 50 anos. Apesar da mesa pequena e da bola leve, a prática envolve deslocamentos, giros e repetições. Quem sente dor na coluna pode precisar adaptar o ritmo e a duração, sem assumir que todo desconforto seja uma hérnia de disco.

Por que a lombar pode doer no tênis de mesa?

Permanecer inclinado por muito tempo, repetir golpes e tentar alcançar bolas distantes pode exigir mais da musculatura do que o corpo está acostumado. Fadiga, espasmos e distensões são possibilidades, principalmente após uma pausa longa ou aumento brusco do tempo de jogo.

A localização da dor não confirma sua origem. Dor localizada depois de esforço pode ser muscular, mas persistência, irradiação para a perna ou perda de força mudam a avaliação. Não é preciso manter uma postura rígida o tempo todo nem forçar uma posição baixa para jogar bem.

O que os estudos mostram — e o que não mostram

Uma pesquisa com universitários não profissionais investigou lesões e fatores associados ao tênis de mesa por questionário. O desenho transversal permite descrever queixas, mas não comprova que determinado hábito causou a lesão. [1]

Um estudo de 2026 analisou 17 anos de registros de jovens jogadores de alto nível. Encontrou predominância de problemas por sobrecarga, envolvendo, entre outras regiões, joelhos, pés, lombar e ombros. Esses atletas tinham demandas diferentes das de uma pessoa acima de 50 anos jogando recreativamente. [2]

Portanto, não se deve transformar resultados do alto rendimento em uma previsão individual de lesão. Também não há base nesses estudos para apresentar o tênis de mesa como tratamento específico de hérnia de disco.

Ombro, cotovelo, punho e membros inferiores

Além da coluna, golpes repetidos podem provocar queixas em ombro, cotovelo e punho. Deslocamentos laterais exigem joelhos e tornozelos. Dor muscular é uma possibilidade, mas tendões, articulações e ligamentos também podem estar envolvidos.

Observe se a dor aparece em um golpe específico, se existe inchaço e se há perda de força. Essas informações ajudam o professor e o profissional de saúde a ajustar a atividade. Não continue aumentando a intensidade quando o movimento já está sendo alterado para fugir da dor.

Fisioterapia na Recuperação e na Volta à Atividade

Quando uma lesão limita a prática, a fisioterapia pode ajudar a recuperar movimento, força e tolerância ao esforço. O plano deve incluir orientação e exercícios progressivos, com metas e reavaliação, conforme o diagnóstico.

Deslocamentos, giros e golpes repetidos devem voltar gradualmente, ajustando duração da sessão, amplitude e potência. Melhora da dor não é o único critério de retorno. Veja como funciona a fisioterapia para coluna.

Como começar ou retomar após os 50 anos

Prefira sessões curtas no início, com trocas de bola controladas e pausas. Aprenda deslocamentos e posicionamento com um professor, em vez de tentar alcançar todas as bolas apenas inclinando o tronco.

Deixe espaço livre ao redor da mesa, retire bolas do chão e use calçado firme, compatível com o piso. Em duplas, combine a circulação com o parceiro para evitar choques. Boa iluminação também facilita perceber a bola e os obstáculos.

Aumente gradualmente a duração e depois a velocidade. Inclua preparação de força e equilíbrio compatível com seu nível. Essas medidas são orientações práticas de adaptação, e não uma garantia de prevenção de lesões.

Quem tem quedas frequentes, osteoporose, doença descompensada ou sintomas que limitam o esforço precisa individualizar a escolha. A idade isolada não define capacidade para jogar.

Praticantes de tênis de mesa durante treino

Quem tem hérnia de disco pode jogar?

O exame de imagem, sozinho, não libera nem proíbe o esporte. A decisão considera sintomas, força, equilíbrio e tolerância aos movimentos. Uma crise com dor irradiada exige ajuste e pode justificar avaliação antes de retornar.

Após cirurgia, a recuperação depende do procedimento e da reabilitação. Começar com movimentos simples é diferente de disputar uma partida intensa. Veja também o guia sobre retorno ao esporte após cirurgia de hérnia.

Quando interromper e procurar atendimento

Dor que persiste, irradiação ou dormência recorrente merece consulta. Perda progressiva de força, alteração recente do controle urinário ou intestinal e dormência na região íntima exigem atendimento urgente.

Após uma queda, dor intensa nas costas ou incapacidade de apoiar um membro também precisa de avaliação, especialmente em quem tem fragilidade óssea. No retorno, observe a resposta durante o jogo e nas horas seguintes.

Atletas que Enfrentaram Lesões: Casos Documentados

Os casos abaixo distinguem problemas da coluna de outras lesões ortopédicas. As informações vêm de relatos públicos, não de prontuários ou de atendimento realizado pelo autor.

Dimitrij Ovtcharov: tratamento cirúrgico cervical

Em junho de 2025, a União Europeia de Tênis de Mesa comunicou que Ovtcharov havia passado por uma cirurgia endoscópica na coluna cervical. O caso documenta um problema da coluna em um atleta da modalidade; a indicação individual não deve ser generalizada a quem sente dor no pescoço. Fonte do caso.

Timo Boll: problema no joelho

Em 2015, uma irritação importante no joelho esquerdo colocou sua participação no Campeonato Europeu em dúvida e levou à retirada das provas por equipes e de duplas. O relato público descreve o comprometimento do joelho, sem justificar a atribuição de uma lesão vertebral. Fonte do caso.

Patrick Franziska: lesão no tornozelo

A cobertura da ITTF reproduzida pela Butterfly recorda que uma lesão no tornozelo impediu Franziska de continuar no Europeu de 2014. Deslocamentos rápidos e mudanças de direção também podem interromper a participação de atletas de alto nível. Fonte do caso.

O tratamento e o tempo de retorno de um atleta não servem como prescrição para outra pessoa. Esses exemplos não medem a frequência de lesões na modalidade e não demonstram que toda dor seja uma lesão grave.

Dúvidas frequentes

Pingue-pongue e tênis de mesa exigem os mesmos cuidados? O jogo recreativo pode ser menos intenso, mas piso, duração e movimentos continuam importantes.

Preciso jogar sempre agachado? Não. A posição deve ser compatível com sua técnica e tolerância; copiar atletas pode aumentar desnecessariamente a exigência.

Jogar substitui a fisioterapia? Não necessariamente. A atividade pode integrar a rotina, mas a reabilitação deve atender ao problema individual.

Referências Científicas

1. Sports injuries and risk factors for table tennis among nonprofessional collegiate athletes: A cross-sectional study. Medicine, 2021.

2. Bonhomme C et al. Table tennis musculoskeletal injuries in young high-level players: a 17-year retrospective cohort study. Annals of Medicine and Surgery, 2026.

Foto ilustrativa: INUSAH GANIYU / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

Avaliação Individual da Coluna

Se a dor limita seu treino ou suas atividades diárias, uma avaliação pode esclarecer a causa e orientar o tratamento. Na consulta, consideramos sintomas, exame físico, rotina de atividade e, quando necessários, exames de imagem para planejar os próximos passos.