Dr. Juan Aquino

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Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.

Revisado em 1º de novembro de 2026.

A busca por novos tratamentos para lesão medular costuma começar com duas perguntas: “lesão medular tem cura?” e “é possível voltar a andar?”. Existem avanços importantes, mas seus resultados precisam ser entendidos de acordo com o paciente e a função estudada.

Lesão Medular Tem Cura?

Ainda não existe uma terapia que garanta a cura de toda lesão medular. Algumas pessoas recuperam parte dos movimentos e da sensibilidade; outras permanecem com limitações importantes. A previsão depende do exame neurológico, da extensão da lesão, do tempo desde o trauma e da evolução durante o acompanhamento.

É importante distinguir recuperação funcional, marcha com assistência e regeneração da medula. Um equipamento pode facilitar movimentos sem reconstruir toda a medula. Ganhos nas mãos, nas transferências e no autocuidado também podem mudar a vida de uma pessoa, mesmo sem recuperar a marcha.

O Que Já Faz Parte do Tratamento?

O atendimento inicial busca estabilizar o paciente e evitar danos adicionais. A equipe avalia respiração, circulação, alinhamento e estabilidade da coluna, compressão das estruturas nervosas e necessidade de cirurgia. Nenhuma pesquisa experimental deve atrasar um atendimento urgente.

Na fase de reabilitação, fisioterapia e terapia ocupacional trabalham metas individualizadas. O cuidado inclui pele, intestino, bexiga, respiração, dor, espasticidade e saúde emocional. Veja o guia sobre trauma raquimedular: atendimento e reabilitação.

Uma fratura da coluna pode ocorrer com ou sem lesão medular. Estabilizar o osso e recuperar a função neurológica são objetivos diferentes.

Quais São os Novos Tratamentos para Lesão Medular?

As principais linhas envolvem estimulação elétrica, interfaces entre cérebro e medula, terapias celulares, moléculas de reparação e tecnologias de reabilitação. O estágio de desenvolvimento varia conforme o produto, a indicação e o país. Um resultado em pesquisa não significa acesso rotineiro no Brasil.

Para comparar uma novidade, pergunte: em qual tipo de lesão foi estudada, quantas pessoas participaram, qual função melhorou, por quanto tempo e com quais riscos? Uma melhora no escore de força não equivale automaticamente a caminhar sem apoio.

Estimulação Elétrica: Braços, Mãos e Marcha

A estimulação transcutânea usa eletrodos na pele. A epidural envolve eletrodos implantados próximos à medula. Ambas podem modular circuitos nervosos, mas seus protocolos e objetivos não são intercambiáveis.

No estudo Up-LIFT, publicado em 2024, 60 pessoas com lesão cervical crônica completaram um programa de reabilitação seguido de reabilitação com estimulação externa. 72% atingiram os critérios de melhora relevante tanto de força quanto de função de braços e mãos. Não houve evento adverso grave relacionado à terapia.

O estudo era aberto e de braço único, com comparação sequencial, sem grupo paralelo randomizado. O resultado trata de membros superiores em pacientes selecionados: não demonstra cura nem recuperação da marcha em 72% das pessoas. Estudo original na Nature Medicine.

A neuroestimulação usada para dor crônica tem outra finalidade clínica. A indicação de um dispositivo para controlar dor não comprova que ele restaure movimentos após lesão medular.

Interface Cérebro–Medula: O Que Foi Demonstrado?

Uma publicação na Nature, em 2023, descreveu uma ponte digital com implantes que captavam sinais cerebrais e comandavam estimulação medular em uma pessoa com tetraplegia crônica. O participante conseguiu ficar em pé e caminhar com o sistema, inclusive em situações fora do laboratório.

Após treinamento, também foram observados ganhos sem estimulação, incluindo marcha com muletas. O achado é relevante, mas um caso altamente selecionado não permite prever o resultado para outros pacientes. São necessários cirurgia, equipamentos, programação e reabilitação especializada. Leia a pesquisa.

Células-Tronco e Terapias Celulares

Terapias celulares investigam diferentes estratégias de reparação, suporte e modulação do ambiente da lesão. Origem das células, fabricação, dose, via de aplicação e tempo desde o trauma mudam a avaliação de eficácia e segurança.

Um estudo de fase 1 de 2026 avaliou células neurais derivadas de iPSCs em quatro pessoas com lesão cervical subaguda. Os resultados iniciais justificam investigação adicional, mas não permitem garantir recuperação. Leia o artigo completo sobre células-tronco para lesão medular: resultados, riscos e limites.

Polilaminina: Uma Linha Diferente de Pesquisa

A polilaminina é uma preparação de laminina polimerizada investigada para lesão medular. Não é célula-tronco. O tema ganhou destaque com a pesquisa liderada por Tatiana Sampaio, da UFRJ.

Na nota de 22 de outubro de 2026, a Anvisa informou que o estudo de fase 1 autorizado em janeiro ainda não havia começado. Essa informação deve ser lida com sua data; autorização de pesquisa não equivale a aprovação do tratamento para uso rotineiro. Veja a análise sobre polilaminina e lesão medular.

Robótica, Exoesqueletos e Reabilitação

Dispositivos robóticos e exoesqueletos podem apoiar o treino de movimentos e a mobilidade em situações selecionadas. É preciso avaliar controle do tronco, força, articulações, pele, saúde óssea e necessidade de assistência.

Caminhar usando um exoesqueleto não demonstra, por si só, regeneração medular. A escolha deve considerar metas práticas e segurança, além do custo, da manutenção e da disponibilidade de acompanhamento.

É Possível Voltar a Andar Após Lesão Medular?

A possibilidade varia muito. Lesões incompletas preservam funções abaixo do nível da lesão, e diferentes padrões de preservação têm prognósticos diferentes. O termo “lesão completa” descreve critérios do exame neurológico, não necessariamente uma medula anatomicamente seccionada.

Não é possível calcular a chance individual apenas pelo nível da vértebra ou por uma fotografia da ressonância. Não há prazo único para voltar a andar. Metas devem ser revistas ao longo da reabilitação, incluindo independência e qualidade de vida. Entenda paraplegia, tetraplegia e recuperação.

Como Avaliar um Tratamento Experimental?

Peça o protocolo, a instituição responsável, os critérios de seleção, a aprovação ética e a autorização sanitária aplicável. Confira se o objetivo é segurança ou eficácia e quais despesas e acompanhamentos estão previstos.

Pergunte quais complicações já ocorreram e como serão atendidas. Implantes podem envolver riscos cirúrgicos e falhas do equipamento; terapias celulares podem envolver infecção, reações imunológicas e crescimento celular indesejado. Os riscos precisam ser discutidos para o produto específico.

Registros públicos de estudos ajudam a localizar pesquisas, mas não certificam eficácia. Desconfie de garantias de cura e de ofertas que dispensam avaliação detalhada. Não interrompa a reabilitação para aguardar uma promessa experimental.

Perguntas Frequentes

Lesão medular tem cura?

Ainda não há terapia que garanta cura para todas as lesões. Recuperação parcial e ganhos de autonomia são possíveis, dependendo do caso.

Qual é o melhor tratamento moderno?

Não existe uma opção universal. A escolha depende do tipo de lesão, do objetivo funcional, da evidência e da disponibilidade regulatória.

Estimulação elétrica faz voltar a andar?

Há resultados em pacientes selecionados e protocolos específicos, mas não é possível garantir marcha independente.

O resultado de 72% significa cura?

Não. No Up-LIFT, esse número correspondeu a critérios de melhora de força e função de braços e mãos.

Uma pessoa com lesão completa pode melhorar?

Pode haver mudanças clínicas e funcionais, mas a evolução precisa ser avaliada individualmente. Completa é uma classificação neurológica.

Exoesqueleto regenera a medula?

O auxílio mecânico à marcha não comprova regeneração. O dispositivo pode apoiar mobilidade ou treinamento em casos selecionados.

Polilaminina é a mesma coisa que células-tronco?

Não. São estratégias distintas, que exigem avaliação própria de resultados e riscos.

Lesão cervical em C1 ou C2 tem cura?

Não se pode prever cura apenas pelo nível. Lesões altas também podem comprometer a respiração e exigem acompanhamento especializado.

Como participar de uma pesquisa?

Procure a instituição responsável e confirme recrutamento, critérios de inclusão, aprovações e acompanhamento previstos no protocolo.

Posso abandonar a fisioterapia para aguardar uma novidade?

A reabilitação continua sendo parte importante do cuidado. Mudanças no programa devem ser discutidas com a equipe assistente.

Avaliação da Coluna

Atendimento em Botafogo e na Barra da Tijuca para avaliação ortopédica e organização do cuidado. O contato abaixo não realiza inscrição em estudos experimentais.

Fontes e Referências

Moritz e colaboradores. Estimulação externa e função de braços e mãos. Nature Medicine, 2024.

Lorach e colaboradores. Interface cérebro–medula. Nature, 2023.

Células neurais derivadas de iPSCs: estudo de fase 1. Nature Medicine, 2026.

Anvisa. Nota sobre polilaminina, 22/10/2026.

NINDS. Lesão medular e reabilitação.

FDA. Informações sobre terapias regenerativas.