Dr. Juan Aquino

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Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.

Revisão das fontes: 31 de outubro de 2026.

A polilaminina é uma substância experimental pesquisada pela UFRJ para lesão medular. Existem resultados iniciais em humanos, mas ainda não é possível afirmar que ela cure a lesão ou garanta recuperação dos movimentos. Entender o que foi estudado ajuda a separar esperança de comprovação.

O Que É Polilaminina?

A polilaminina é uma preparação de laminina polimerizada, estudada para o tratamento de lesões traumáticas da medula espinhal. A laminina é uma proteína da matriz extracelular, estrutura que participa da organização e sustentação dos tecidos.

A proposta é investigar se uma rede dessas proteínas pode favorecer um ambiente para o crescimento das prolongações dos neurônios e a recuperação de conexões. Essa é uma hipótese terapêutica: demonstrar atividade no laboratório não comprova benefício clínico em pessoas.

Na formulação descrita pela Anvisa, a laminina é obtida de placenta humana. Isso não transforma o produto em transplante de células-tronco.

Esquema das famílias de lamininas e suas cadeias, com locais de ligação a receptores celulares
Estruturas de diferentes lamininas. Esquema da proteína, e não fotografia da preparação experimental de polilaminina. Autores: Peter D. Yurchenco e Arkadiusz W. Kulczyk (2024), via Wikimedia Commons. Licença CC BY 4.0; sem alterações.

Quem É a Pesquisadora da UFRJ?

A cientista associada à pesquisa é a bióloga e professora Tatiana Sampaio, também identificada nas publicações como Tatiana Coelho-Sampaio. Ela chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

Quem procura por “doutora da UFRJ que pesquisa lesão medular” geralmente se refere a ela. O trabalho envolve uma equipe de pesquisadores e, no desenvolvimento farmacêutico, parceria com o laboratório Cristália. Veja a apresentação institucional da UFRJ.

Professora Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ que lidera os estudos sobre polilaminina
Professora Tatiana Sampaio, da UFRJ. Foto reproduzida da reportagem do Diário de São Paulo.

Polilaminina É a Mesma Coisa que Células-Tronco?

Não. A polilaminina é uma preparação proteica. Terapias celulares utilizam células, que variam conforme a origem e o processamento. Os produtos, riscos e protocolos precisam ser avaliados separadamente.

Um estudo de fase 1 publicado em 2026 avaliou células neurais derivadas de células pluripotentes induzidas, chamadas iPSCs, em quatro pessoas com lesão cervical subaguda. Os dados apoiam novas pesquisas, mas não demonstram uma cura geral. Resultados desse tipo de terapia não podem ser usados para comprovar os efeitos da polilaminina.

O Que Mostrou o Estudo Publicado na Spinal Cord?

O estudo piloto publicado em 4 de agosto de 2026 acompanhou oito pessoas com lesão medular traumática aguda, inicialmente classificadas como AIS A. O produto foi aplicado diretamente na medula, e o acompanhamento previsto foi de 12 meses.

Seis participantes apresentaram melhora de pelo menos dois graus na classificação AIS. Um deles morreu depois de alcançar AIS C. No total, ocorreram três óbitos durante o acompanhamento; segundo o artigo, as avaliações citadas pelos autores não os atribuíram à intervenção.

O estudo não tinha grupo controle e não foi desenhado para comprovar eficácia. Os achados justificam investigação adicional, mas não autorizam anunciar “75% de sucesso” nem afirmar que a substância fez seis pessoas voltarem a andar.

Melhorar na Escala AIS Significa Voltar a Andar?

Não necessariamente. A classificação AIS descreve o comprometimento neurológico após lesão medular. Ela não é uma escala simples de independência para caminhar.

Para avaliar um tratamento, é preciso perguntar quais funções mudaram: força, sensibilidade, transferências, uso das mãos, marcha, controle urinário ou autonomia nas atividades. Também importa saber se os ganhos foram mantidos e como se comparam à evolução esperada com o cuidado habitual.

A expressão “lesão completa” se refere à classificação neurológica e não implica, por si só, que a medula tenha sido fisicamente cortada em duas partes. Entenda melhor as diferenças em paraplegia, tetraplegia e recuperação.

A Polilaminina Já Foi Aprovada pela Anvisa?

Em 5 de janeiro de 2026, a Anvisa autorizou um estudo de fase 1 focado na segurança. Autorização para pesquisar não equivale a registro para comercialização nem comprovação de eficácia.

Em 16 de setembro, o Cristália anunciou início previsto para 24 de setembro. Entretanto, na nota de 22 de outubro de 2026, a Anvisa informou que o estudo ainda não havia começado e manifestou preocupações quanto à qualidade dos dados de segurança e à ampliação do uso compassivo.

Esses comunicados têm datas e finalidades diferentes. O anúncio de uma data não confirma a inclusão do primeiro participante. Nesta revisão, não há base para apresentar a polilaminina como tratamento de rotina já aprovado.

O estudo piloto acadêmico publicado e a etapa regulatória patrocinada pelo laboratório não devem ser confundidos.

Quem Poderia Participar do Estudo Autorizado?

O protocolo divulgado prevê cinco participantes, com idade entre 18 e 72 anos, lesão torácica completa entre T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. A comunicação do Ministério da Saúde descreve organização de encaminhamentos para avaliação de elegibilidade.

Esses critérios não significam vaga disponível ou inclusão garantida. A decisão pertence à equipe de pesquisa e depende do protocolo, da situação clínica e do consentimento. O anúncio de um estudo também não autoriza aplicação em consultório.

Quem sofreu trauma recente precisa de atendimento de emergência imediato. Não deve adiar o cuidado habitual para tentar localizar um tratamento experimental.

A Polilaminina Funciona em Lesão Medular Crônica?

Os dados apresentados aqui tratam principalmente de lesões agudas. Não há base nesses resultados para prometer o mesmo efeito a quem tem uma lesão há meses ou anos.

Lesões agudas e crônicas têm contextos biológicos e clínicos diferentes. O tempo desde o trauma, o nível da lesão e as funções preservadas precisam constar de qualquer discussão sobre elegibilidade ou resultado.

A ausência de comprovação para uma indicação não significa que a pesquisa deva parar; significa que essa pergunta ainda precisa ser respondida em estudos apropriados.

Quais Questões de Segurança Precisam Ser Esclarecidas?

A administração intramedular é invasiva. A avaliação precisa distinguir eventos associados ao trauma, à cirurgia, ao procedimento de aplicação e à própria substância.

A Anvisa prevê vigilância de eventos adversos, inclusive possíveis respostas imunológicas ao produto. Um grupo pequeno sem eventos atribuídos ao tratamento não permite excluir complicações raras ou efeitos tardios.

Relatos individuais podem levantar hipóteses, mas não substituem monitoramento sistemático. É necessário registrar também pioras, perdas de acompanhamento e óbitos, além das melhoras.

O Que o Paciente Deve Fazer Enquanto as Pesquisas Avançam?

O cuidado após trauma raquimedular continua envolvendo avaliação especializada, tratamento das lesões estruturais quando indicado e reabilitação individualizada.

Antes de considerar uma proposta experimental, peça o nome do produto, registro do estudo, instituição responsável, critérios de inclusão, riscos conhecidos e plano de acompanhamento. Pergunte qual desfecho está sendo estudado e se há grupo de comparação.

Uma avaliação da coluna pode ajudar a organizar o diagnóstico e o cuidado, mas não substitui a seleção por um centro de pesquisa nem representa oferta de polilaminina.

Perguntas Frequentes

Laminina e Polilaminina São Sinônimos?

Não exatamente. A polilaminina corresponde a uma preparação em que moléculas de laminina se organizam em uma estrutura polimerizada.

Quem É Tatiana Sampaio?

É a bióloga e professora da UFRJ que lidera a linha de pesquisa com polilaminina.

Polilaminina Contém Células-Tronco?

Não é uma terapia celular. A preparação estudada é baseada em proteína.

Já Existe Cura Comprovada com Polilaminina?

Não. Os resultados preliminares não permitem afirmar cura ou eficácia comprovada.

Seis Melhoras em Oito Pessoas Significam 75% de Sucesso?

Não. Esse cálculo não demonstra eficácia causal em um estudo pequeno, sem grupo controle.

Quem Tem Lesão Antiga Pode Esperar o Mesmo Resultado?

Não é possível extrapolar os achados de lesões agudas para lesões crônicas.

Autorização da Anvisa para Pesquisa Permite Venda?

Não. Pesquisa clínica e registro para comercialização são etapas distintas.

Como Saber se Posso Participar?

A elegibilidade deve ser avaliada pela equipe oficial do estudo, conforme critérios e disponibilidade confirmados.

Uso Compassivo É Prova de Eficácia?

Não. Uma autorização excepcional de acesso não substitui os estudos necessários para comprovar benefício e segurança.

Devo Interromper a Reabilitação?

Não por causa de uma notícia sobre tratamento experimental. O plano de cuidado deve ser revisto com a equipe assistente.

Avaliação da Coluna

Para avaliação ortopédica e organização do cuidado da coluna, consulte os locais de atendimento do Dr. Juan Aquino ou fale com a equipe pelo botão abaixo. Este canal não realiza inscrição no estudo da polilaminina.

Fontes e Referências

Lima e colaboradores. Estudo piloto em humanos. Spinal Cord, 2026.

Anvisa — Autorização do estudo de fase 1, 05/01/2026.

Anvisa — Nota de esclarecimento, 22/10/2026.

Cristália — Comunicado sobre o estudo, 16/09/2026.

Ministério da Saúde — Organização do encaminhamento para pesquisa, 18/09/2026.

UFRJ — Tatiana Sampaio e a pesquisa com polilaminina.

Nature Medicine — Estudo de fase 1 com células neurais derivadas de iPSCs, 2026.