Dr. Juan Aquino

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Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.

Conteúdo revisado em 1º de novembro de 2026.

O uso de células-tronco para lesão medular é uma área de pesquisa em evolução. Para quem procura regeneração da medula ou recuperação após paraplegia, a principal dúvida é o que já foi demonstrado em pessoas e quais promessas ainda ultrapassam a evidência.

Colônia de células-tronco embrionárias humanas em cultura, observada por microscopia de contraste de fase
Colônia de células-tronco embrionárias humanas em cultura. Imagem ilustrativa; não corresponde às células neurais derivadas de iPSCs do estudo citado nem a um resultado clínico. Crédito: Sabrina Lin e Prue Talbot, Cell Image Library, CIL:12626, domínio público.
Radiografia e ressonância magnética da coluna cervical em exemplo de trauma raquimedular, com setas indicando a região da lesão
Exemplo de trauma cervical em radiografia e ressonância magnética. Imagem ilustrativa da lesão; não representa resultado de tratamento com células-tronco.

Células-Tronco para Lesão Medular Funcionam?

Os estudos mostram sinais de benefício em alguns participantes, mas ainda não permitem garantir recuperação da marcha ou cura. Resultados dependem do tipo de célula, da lesão e do protocolo. Uma melhora depois da aplicação, isoladamente, não demonstra que as células causaram essa melhora.

Pesquisas iniciais avaliam principalmente segurança e viabilidade. Para demonstrar eficácia, são necessários grupos comparáveis, avaliação padronizada e acompanhamento suficiente. Depoimentos e vídeos de pacientes não substituem essa comparação.

A Medula se Regenera?

A medula espinhal tem capacidade limitada de regeneração. Após uma lesão, circuitos preservados podem contribuir para ganhos funcionais, e a reabilitação ajuda a aproveitar essa capacidade. Recuperar força ou sensibilidade não significa que toda a região lesionada foi reconstruída.

A palavra “medula” também pode indicar medula óssea, que produz células do sangue. Transplante de medula óssea e tratamento da medula espinhal são procedimentos diferentes. O sucesso dos transplantes para doenças hematológicas não comprova eficácia contra paraplegia.

Uma fratura da coluna vertebral acomete o osso e pode ocorrer com ou sem lesão neurológica. Já o trauma raquimedular exige avaliar também a medula e as estruturas nervosas. Essa distinção ajuda a entender por que consolidar uma fratura e recuperar a função medular são objetivos diferentes.

Quais Células Estão Sendo Estudadas?

Células estromais mesenquimais, obtidas de tecidos como medula óssea e gordura, são investigadas por efeitos sobre o ambiente inflamatório e fatores de reparação. Células neurais progenitoras são estudadas para contribuir com componentes do tecido nervoso.

As iPSCs são células reprogramadas em laboratório que podem originar diferentes linhagens. No estudo japonês discutido abaixo, foram utilizadas células neurais derivadas delas. Origem, processamento, controle de qualidade e via de administração fazem diferença: “células-tronco” não designa um único tratamento.

Resultados do Estudo com iPSCs Publicado em 2026

Um estudo de fase 1 publicado na Nature Medicine avaliou quatro pessoas com lesão cervical completa na fase subaguda. Não foram observados tumores ou eventos adversos atribuídos ao enxerto no acompanhamento de dois a quatro anos.

Em 52 semanas, a melhora mediana do escore motor foi de 13 pontos, com variação de 10 a 40. Dois participantes mudaram da classificação AIS A para C ou D. O estudo foi aberto, pequeno e sem controle randomizado simultâneo; portanto, os ganhos não podem ser atribuídos com segurança às células.

Houve eventos ligados ao procedimento e à imunossupressão. A ausência de tumor em quatro pessoas não exclui riscos raros ou tardios. Esses resultados justificam novos estudos, mas não representam uma taxa comprovada de sucesso nem promessa de voltar a andar. Leia o estudo original.

Paraplegia e Células-Tronco: Quem Pode Participar?

A elegibilidade depende do protocolo: nível da lesão, classificação neurológica, tempo desde o trauma, idade e condições clínicas podem limitar a participação. Uma pesquisa em lesão recente não responde automaticamente à dúvida de quem vive com paraplegia há anos.

A avaliação precisa distinguir lesão completa e incompleta, sem interpretar “completa” como prova de secção anatômica total. Saiba mais sobre paraplegia e tetraplegia.

Quais São os Riscos e Limites?

Os riscos variam conforme o produto e a aplicação. Podem envolver infecção, reações imunológicas, inflamação, crescimento celular indesejado e complicações do procedimento. Se houver imunossupressão, seus efeitos também precisam entrar na avaliação.

O FDA alerta para danos associados a produtos regenerativos não aprovados, incluindo formação de tumores e infecções. Isso não significa que todos os produtos tenham o mesmo risco, mas exige avaliação específica e acompanhamento. Fonte: FDA.

Promessas de resultado garantido, aplicação para muitas doenças sem critérios claros e cobrança associada a pressão para decidir rapidamente são motivos para pedir uma avaliação independente.

Como Avaliar um Tratamento no Brasil?

Antes de considerar uma proposta, peça o nome exato do produto, instituição responsável, registro do estudo, aprovação ética e documentação da autorização sanitária aplicável. Autorização para pesquisar não equivale a aprovação para uso rotineiro.

Em alerta de setembro de 2024, a Anvisa destacou o uso irregular de células cultivadas e diferenciou essas propostas dos transplantes hematopoiéticos reconhecidos. A situação de um produto deve ser consultada individualmente nos canais oficiais, incluindo a indicação autorizada.

Consulte a área de terapias avançadas da Anvisa. Estar listado em um registro de estudos, por si só, não comprova eficácia nem substitui as autorizações necessárias.

Qual É a Diferença para a Polilaminina da UFRJ?

A polilaminina é uma preparação de laminina polimerizada; não é uma terapia celular. A pesquisa liderada por Tatiana Sampaio, da UFRJ, pertence a outra linha de investigação.

Resultados de polilaminina não podem ser usados como prova para células-tronco, ou vice-versa. Veja o artigo específico sobre polilaminina e lesão medular.

O Que Fazer Enquanto as Pesquisas Avançam?

O cuidado envolve reabilitação individualizada, prevenção de lesões por pressão, atenção respiratória, manejo urinário e intestinal e tratamento da dor e da espasticidade. Quando indicado, o tratamento cirúrgico atua sobre compressão e estabilidade da coluna.

Ganhos em independência, transferências e função das mãos podem ser relevantes mesmo sem recuperação da marcha. Acompanhamento e reabilitação não devem ser interrompidos para aguardar uma terapia experimental. Leia sobre tratamento e reabilitação do trauma raquimedular.

Perguntas Frequentes

Células-tronco curam lesão medular?

Ainda não existe base para prometer cura. Há resultados iniciais que precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados.

A medula espinhal se regenera sozinha?

Sua capacidade regenerativa é limitada. Ganhos funcionais podem ocorrer por mecanismos que envolvem circuitos preservados e reabilitação.

Células-tronco podem fazer uma pessoa com paraplegia voltar a andar?

Essa possibilidade não pode ser garantida. Os estudos avaliam pacientes selecionados, e melhora de escores não equivale necessariamente a marcha independente.

O tratamento serve para lesão medular antiga?

Depende do estudo. Resultados obtidos na fase subaguda não devem ser extrapolados para lesões crônicas.

Transplante de medula óssea trata a medula espinhal?

São tecidos e objetivos diferentes. Transplantes hematopoiéticos para doenças do sangue não comprovam regeneração da medula espinhal.

Usar células do próprio paciente elimina os riscos?

Não. Coleta, processamento, qualidade do produto e via de aplicação também influenciam a segurança.

Polilaminina é célula-tronco?

Não. É uma preparação de laminina polimerizada, estudada em uma linha de pesquisa diferente.

Como encontrar um estudo clínico?

Consulte registros públicos, como ReBEC e ClinicalTrials.gov, e confirme o recrutamento e a documentação diretamente com a instituição responsável.

Quanto custa o tratamento com células-tronco para lesão medular?

Não há um preço único que represente uma terapia padronizada e comprovada para essa finalidade. Antes de discutir custos, confirme o produto, as autorizações e o protocolo.

Preciso manter a fisioterapia?

A reabilitação continua sendo parte importante do cuidado. Qualquer participação em pesquisa deve ser discutida com a equipe que acompanha o paciente.

Avaliação da Coluna

Para avaliação ortopédica e organização do cuidado da coluna em Botafogo ou na Barra da Tijuca, entre em contato com a equipe. Este canal não oferece aplicação de células-tronco nem inscrição em ensaios clínicos.

Leia também: Trauma raquimedular: atendimento e reabilitação · Fratura da coluna vertebral: sintomas e tratamentos.

Fontes e Referências

Nature Medicine (2026): estudo de fase 1 com células neurais derivadas de iPSCs.

Anvisa (2024): alerta sobre produtos à base de células-tronco sem aprovação.

FDA: informações sobre riscos de terapias regenerativas.

NINDS: lesão medular, pesquisa e reabilitação.