Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência.
A hérnia de disco C4–C5 é uma alteração do disco entre a quarta e a quinta vértebras do pescoço. Dependendo da posição, pode irritar uma raiz nervosa ou comprimir a medula. Os sintomas vão de dor no pescoço e no ombro até perda de força e alterações para caminhar. Também é possível encontrar uma hérnia na ressonância sem que ela explique a dor.
Resposta Direta
Em C4–C5, uma hérnia lateral ou foraminal pode comprometer a raiz C5 e causar dor na região do ombro e na parte lateral superior do braço, além de dificuldade para elevar o braço. Uma hérnia central pode atingir a medula e produzir sinais diferentes, como perda de destreza nas mãos e desequilíbrio. O exame clínico distingue essas situações.
Este artigo integra o guia completo de hérnia de disco.
O Que Significa Hérnia de Disco C4–C5?
C4 e C5 são duas vértebras cervicais. Entre elas existe um disco que participa da distribuição de cargas e dos movimentos. Uma hérnia ocorre quando material do disco se desloca de forma localizada. O efeito depende da direção desse deslocamento e do espaço disponível para as estruturas nervosas.
A raiz C5 sai pelo forame entre essas vértebras. Já a medula passa pelo canal vertebral, mais ao centro. Por isso, duas pessoas com “hérnia C4–C5” podem ter apresentações muito diferentes. O nome do nível não informa sozinho qual estrutura está comprometida ou se há necessidade de operação.
Quais São os Sintomas Quando a Raiz C5 É Afetada?
- Dor que pode envolver o pescoço, a região da escápula, o ombro e a parte lateral superior do braço.
- Alteração de sensibilidade ou formigamento nessa região, com distribuição variável.
- Fraqueza em músculos que participam dos movimentos do ombro, principalmente o deltoide, percebida como dificuldade para elevar o braço.
- Mudanças de reflexos ou de força identificadas no exame médico.
Nem todos os sintomas aparecem juntos. Dor que se concentra na mão ou em determinados dedos não deve ser atribuída automaticamente à raiz C5: outros níveis, nervos periféricos e condições associadas precisam ser avaliados. Os territórios dos nervos se sobrepõem e não funcionam como um mapa exato para o autodiagnóstico.
Como Diferenciar Hérnia C4–C5 de um Problema no Ombro?
Alterações do manguito rotador, bursite e outras doenças do ombro também podem causar dor e dificuldade para elevar o braço. Na radiculopatia, a perda de força pode estar relacionada à função nervosa; no ombro, dor e lesão dos tendões podem limitar o movimento. As duas condições podem coexistir.
O médico examina pescoço e ombro, compara força, reflexos e sensibilidade e observa quais movimentos reproduzem o quadro. Não é seguro concluir a origem da dor apenas porque ela piora ao levantar o braço ou porque uma ressonância mostrou uma hérnia. A investigação deve responder qual achado realmente explica a limitação.
Quando a Hérnia Comprime a Medula: Mielopatia Cervical
A compressão de uma raiz é diferente do comprometimento da medula. A mielopatia cervical pode se manifestar por mãos menos hábeis, dificuldade para abotoar roupas, deixar objetos cair, alteração do equilíbrio ou mudança na caminhada. Pode haver sintomas nos braços e nas pernas, mesmo sem dor cervical intensa.
Esses sinais merecem avaliação rápida, especialmente quando novos ou progressivos. Nem toda compressão descrita no laudo representa mielopatia clínica, mas não se deve presumir que um quadro com alteração de marcha seja apenas uma crise de dor muscular. A prioridade e o tratamento dependem do exame neurológico e da evolução.
Como É Feito o Diagnóstico?
A consulta começa pela história: quando os sintomas surgiram, onde se localizam, quais atividades ficaram difíceis e se houve piora da força ou do equilíbrio. No exame físico, o profissional procura sinais de comprometimento da raiz, da medula e de possíveis doenças do ombro ou de nervos periféricos.
A ressonância cervical permite avaliar o disco, os forames, o canal e a medula. Lado, localização e repercussão precisam corresponder ao quadro. Expressões como “protrusão”, “contato” ou “compressão” não são equivalentes e não determinam, isoladamente, a gravidade clínica.
Radiografias, tomografia ou eletroneuromiografia podem ser úteis em perguntas específicas. Não são obrigatórias para todos. Uma eletroneuromiografia normal não exclui toda radiculopatia, principalmente quando o quadro é inicial ou predominantemente sensitivo.
Quais São os Tratamentos sem Cirurgia?
Na radiculopatia sem sinais de urgência, muitas pessoas podem começar com tratamento conservador e acompanhamento. O objetivo é melhorar dor e função, observar a evolução neurológica e adaptar o plano quando necessário. O seguimento é parte do tratamento, sobretudo se existe alguma fraqueza.
- Atividade adaptada: ajustar temporariamente tarefas que agravam os sintomas e manter movimento tolerado, conforme orientação.
- Reabilitação: exercícios graduais de mobilidade, controle e fortalecimento, escolhidos após avaliação. Não existe uma sequência única de exercícios adequada para todo caso.
- Medicamentos: seleção individual conforme tipo de dor, doenças associadas e riscos. Não há um remédio que “recoloque” o disco no lugar.
- Procedimentos: uma infiltração pode ser discutida em situações selecionadas de dor radicular. Ela não remove a hérnia e possui riscos próprios, inclusive complicações neurológicas raras e graves em determinadas injeções cervicais.
Evite tentar “destravar” o pescoço ou reproduzir manobras de força sem avaliação, especialmente diante de fraqueza, suspeita de compressão medular ou instabilidade. O plano de exercícios e eventuais técnicas manuais deve considerar esses achados. Ausência de melhora ou piora funcional exige reavaliação.
Quando a Cirurgia Pode Ser Considerada?
A cirurgia pode entrar na discussão diante de dor radicular persistente e incapacitante apesar de tratamento adequado, déficit motor relevante ou progressivo, ou mielopatia com indicação de descompressão. Não existe um número fixo de semanas que obrigue todos os pacientes a operar ou a aguardar.
O procedimento procura tratar a compressão responsável pelo quadro. Entre as opções, conforme o caso, estão a discectomia com artrodese cervical, a artroplastia com prótese de disco e abordagens posteriores selecionadas. Endoscopia não é a melhor opção para toda hérnia cervical. Posição da hérnia, alinhamento, estabilidade, artrose e condições clínicas influenciam a escolha.
Discuta o que se espera melhorar na dor irradiada, na dor cervical, na força e na função. Esses resultados podem ser diferentes. Sangramento, infecção, lesão neurológica, persistência dos sintomas e riscos específicos de cada acesso fazem parte da conversa. Nenhuma técnica garante recuperação completa.
Quando Procurar Atendimento Urgente
Procure atendimento de urgência diante de fraqueza nova ou em progressão, piora rápida da capacidade de caminhar, dificuldade importante de coordenação, ou alteração recente do controle urinário ou intestinal associada a sintomas neurológicos. Dor após trauma relevante também exige avaliação apropriada.
Se a perda de destreza nas mãos ou o desequilíbrio estiverem aparecendo aos poucos, antecipe a avaliação especializada. Não espere a dor ficar intensa: comprometimento medular pode ocorrer sem uma dor proporcional à sua importância.
Perguntas Frequentes
Hérnia C4–C5 pode causar dor só no ombro?
Pode haver dor predominantemente no ombro e na parte superior do braço quando a raiz C5 está envolvida. Doenças do próprio ombro são frequentes e precisam ser diferenciadas no exame.
C4–C5 é mais grave que C5–C6?
O nível não estabelece uma ordem de gravidade. A estrutura comprometida, o déficit, a evolução e a repercussão funcional são mais importantes.
Se o laudo diz “tocando a medula”, preciso operar?
Não é possível decidir apenas por essa expressão. É preciso avaliar as imagens completas, o grau de comprometimento e a presença de sinais clínicos. Sintomas de mielopatia mudam a prioridade da avaliação.
Posso fazer musculação?
A liberação e as adaptações dependem de dor, força, sinais medulares e exercícios pretendidos. Não há proibição definitiva para todos nem liberação irrestrita apenas porque a dor diminuiu.
Quanto tempo demora para melhorar?
A evolução é variável. Dor, sensibilidade e força podem melhorar em ritmos diferentes. Perda de força progressiva exige reavaliação, em vez de aguardar um prazo previsto na internet.
Para avaliar o seu caso, leve o laudo, as imagens completas e os exames anteriores.
Avaliações no Google
Confira experiências relatadas pelos pacientes. As necessidades de tratamento e os resultados variam entre pessoas.

