Dr. Juan Aquino

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Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.

Revisado em 2 de novembro de 2026.

Espiritualidade e fé podem oferecer apoio para conviver com a dor crônica. A importância dessa dimensão varia entre pessoas e deve ser respeitada. A pesquisa sugere possíveis relações com adaptação psicológica, mas os efeitos sobre a intensidade da dor permanecem incertos.

O Que Significa Espiritualidade no Cuidado da Dor?

Espiritualidade pode envolver sentido de vida, valores, esperança e conexão. Para muitas pessoas, isso inclui a relação com Deus, a oração e a participação em uma comunidade religiosa. Para outras, envolve relações familiares, natureza, arte ou projetos pessoais.

Religiosidade e espiritualidade são conceitos relacionados, mas não idênticos. O cuidado deve partir da experiência da pessoa, sem exigir uma definição ou uma prática. Também é legítimo não desejar conversar sobre esse assunto.

Essa dimensão complementa a compreensão apresentada no modelo biopsicossocial e espiritual da dor. Não substitui a investigação de doenças, lesões ou alterações no funcionamento do sistema nervoso.

O Que os Estudos Mostram?

Um estudo com 62 adultos portugueses com dor musculoesquelética crônica encontrou associação entre esperança e perspectiva positiva de vida e melhor funcionamento psicológico. A busca de significado e propósito se associou à persistência em tarefas. O estudo não demonstrou que uma intervenção espiritual causasse melhora da dor. Leia o estudo original.

Uma revisão sistemática de 20 estudos identificou possíveis associações entre religiosidade ou espiritualidade e adaptação psicológica. As relações com dor e limitação física foram mais fracas. Os autores destacaram a necessidade de novas pesquisas. Veja a revisão.

Outra revisão, específica sobre dor musculoesquelética, reuniu nove estudos transversais e um caso-controle. Encontrou evidência limitada e resultados conflitantes sobre intensidade da dor, incapacidade e interferência na vida. Portanto, não é possível afirmar que pessoas religiosas sintam menos dor em geral. Leia a análise.

Melhor enfrentamento, menor sofrimento e redução da intensidade da dor são resultados diferentes. Os estudos não autorizam prometer cura pela fé nem determinar uma prática religiosa como tratamento analgésico.

Como a Fé Pode Participar do Cuidado?

Se a fé é importante para você, conte à equipe quais práticas oferecem amparo e quais dificuldades surgiram com a doença. Pode fazer sentido manter momentos de oração, leitura religiosa, participação na comunidade ou conversa com uma liderança de confiança.

Para uma pessoa católica, por exemplo, isso pode incluir missa, oração pessoal e apoio pastoral, conforme sua vontade e condições. Esses são exemplos de práticas escolhidas pelo paciente, e não uma prescrição médica ou uma afirmação de superioridade de uma religião.

Quando sair de casa é difícil, uma visita, uma conversa por telefone ou participação remota podem ser alternativas. O importante é acolher a preferência individual e as limitações reais, sem criar uma nova obrigação.

Quando a Espiritualidade Também Traz Angústia

A doença pode trazer perguntas sobre injustiça, perda de sentido ou abandono. É possível ter fé e, ao mesmo tempo, sentir medo, revolta ou desânimo. A consulta deve permitir falar disso sem julgamento.

Sentir dor não significa ter pouca fé ou estar sendo punido. A persistência dos sintomas não deve ser apresentada como falha moral. Se uma interpretação religiosa estiver aumentando culpa ou medo, isso merece escuta cuidadosa.

Com a autorização da pessoa, o cuidado pode envolver apoio psicológico e alguém de confiança de sua tradição religiosa. O acompanhamento psicológico na dor crônica pode integrar esse cuidado. Sofrimento emocional persistente também merece avaliação; leia sobre dor crônica e depressão.

Sol sobre o mar e montanhas na região do Joá, no Rio de Janeiro.
Contemplação da natureza e sentido de vida podem fazer parte da experiência pessoal de espiritualidade. Foto do acervo do Dr. Juan Aquino, na região do Joá.

Sentido de Vida e Projetos Possíveis

Uma proposta de conversa é perguntar: “O que você gostaria de voltar a fazer, mesmo que de forma adaptada?” A resposta pode ser cuidar de uma planta, participar de um encontro familiar, acompanhar um neto ou colaborar em uma atividade comunitária.

Esses exemplos não são uma receita contra a dor. Servem para identificar interesses e planejar possibilidades de participação. Uma meta pequena pode ser mais viável do que tentar retomar toda a rotina de uma vez.

É possível construir objetivos sem exigir otimismo constante. Esperança pode significar buscar cuidado, apoio e possibilidades concretas, mesmo quando ainda há incerteza sobre a evolução.

Comunidade, Pertencimento e Convivência

Uma comunidade religiosa pode ser uma rede de convivência e ajuda prática. Mas o benefício não deve ser presumido: a pessoa precisa sentir-se acolhida e ter liberdade para participar ou não.

Também existem fontes de pertencimento fora da religião. Amigos, família, grupos culturais e atividades comunitárias podem fazer parte da vida. O artigo sobre solidão e dor crônica explica por que quantidade de contatos e qualidade das relações não são a mesma coisa.

Como Abordar o Assunto na Consulta

Você pode dizer: “Minha fé é importante para lidar com a doença”, “Tenho perdido o sentido das coisas” ou “Prefiro não abordar religião no meu tratamento”. Todas essas posições devem ser respeitadas.

Perguntas úteis incluem: “O que lhe dá força?”, “Existe alguma crença que esteja dificultando o tratamento?” e “Você gostaria de apoio nessa área?”. A finalidade é conhecer necessidades, e não avaliar a qualidade da fé.

Oração e tratamento médico podem coexistir. Não interrompa medicamentos ou reabilitação por promessa de cura. As decisões clínicas devem considerar diagnóstico, benefícios, riscos e preferências. Consulte também o guia de dor crônica e tratamentos.

Perguntas Frequentes

Espiritualidade pode ajudar quem tem dor crônica?

Pode ser uma fonte de apoio e significado para algumas pessoas. Os estudos não permitem garantir redução da dor ou cura.

Fé e tratamento médico são incompatíveis?

Não. Práticas religiosas escolhidas pelo paciente podem coexistir com os tratamentos indicados.

Oração substitui medicamentos ou fisioterapia?

Não. Mudanças no tratamento precisam ser discutidas com a equipe assistente.

Quem não tem religião pode abordar espiritualidade?

Sim, se desejar. A conversa pode envolver valores, relações e sentido de vida, sem referência religiosa.

Tenho dor porque minha fé é fraca?

Não. A intensidade ou persistência da dor não mede a fé de uma pessoa.

Existe uma religião mais eficaz contra a dor?

As evidências apresentadas não sustentam indicar uma religião como mais eficaz para tratar dor.

Sentir revolta diante da doença é incompatível com a fé?

A pessoa pode ter fé e sentir angústia, medo ou revolta. Esses sentimentos merecem escuta sem julgamento.

Como incluir minha comunidade no cuidado?

Se desejar, converse sobre formas de apoio, visitas e participação adaptada, respeitando suas condições e privacidade.

Preciso conversar sobre religião com meu médico?

Não. Você pode escolher abordar ou não essa dimensão, sem prejuízo do cuidado.

O que perguntar na consulta?

Conte o que lhe dá força, quais preocupações surgiram e se deseja apoio para integrar essa dimensão ao cuidado.

Avaliação da Dor na Coluna

Atendimento com o Dr. Juan Aquino em Botafogo e na Barra da Tijuca para avaliação da coluna e discussão do plano de cuidado.

Avaliações no Google

Confira as experiências relatadas pelos pacientes. As necessidades de tratamento e os resultados variam entre pessoas.

Referências

Ferreira-Valente e colaboradores. Espiritualidade, função e enfrentamento da dor. Pain Medicine, 2020.

Ferreira-Valente e colaboradores. Religiosidade e espiritualidade na dor crônica: revisão sistemática.

Najem e colaboradores. Crenças religiosas e dor musculoesquelética: revisão sistemática, 2021.

NICE NG193. Avaliação da dor crônica, valores e contexto da pessoa.