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Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310.
Revisado em 2 de novembro de 2026.
Cuidar da dor crônica envolve entender o corpo e o impacto da dor na vida. O modelo biopsicossocial reúne aspectos físicos, emocionais e sociais. A espiritualidade pode ser incluída quando é importante para o paciente, respeitando suas crenças e escolhas.
Neste Artigo
O Que É o Modelo Biopsicossocial da Dor?
Biológico: Investigar e Cuidar do Corpo
Psicológico: Emoções, Expectativas e Medo
Social: Solidão, Família e Condições de Vida
Espiritualidade e Dor: Fé, Esperança e Sentido
Atividades Sociais: Como Retomar a Participação
O Que É o Modelo Biopsicossocial da Dor?
O modelo biopsicossocial considera como fatores do corpo, das emoções e da vida social participam da experiência dolorosa. A IASP reconhece essa interação e recomenda respeitar o relato de quem sente dor. Nenhum desses aspectos torna o sofrimento menos real.
A dimensão espiritual pode ampliar a conversa sobre valores, esperança, pertencimento e sentido de vida, conforme as preferências da pessoa. Ela não representa uma causa obrigatória da dor nem uma exigência religiosa para o tratamento.
Biológico: Investigar e Cuidar do Corpo
Dor persistente pode envolver doenças dos tecidos, comprometimento dos nervos e alterações no processamento dos sinais dolorosos. A avaliação clínica continua essencial. O modelo ampliado não autoriza atribuir sintomas novos ao estresse sem investigação.
O guia de dor crônica: causas, avaliação e tratamentos detalha os mecanismos e as opções de cuidado. Uma ressonância normal não torna a dor imaginária.
Psicológico: Emoções, Expectativas e Medo
Medo, preocupação e experiências anteriores podem influenciar a forma de lidar com a dor. Ao mesmo tempo, conviver com limitações pode gerar sofrimento emocional. Não é necessário escolher entre dor física e sofrimento psicológico: ambos merecem atenção.
Apoio psicológico pode integrar o tratamento, sem significar que a pessoa inventou seus sintomas. Leia também dor crônica e depressão. O plano deve considerar dificuldades e também recursos pessoais, interesses e expectativas.
Social: Solidão, Família e Condições de Vida
Estar sozinho e sentir solidão são experiências diferentes. Uma pessoa pode ter muitos contatos e ainda não se sentir compreendida. Também importam renda, trabalho, transporte, acesso ao tratamento e apoio familiar.
Um estudo acompanhou 4.906 adultos por quatro anos e encontrou associação entre solidão inicial e dor posterior, e entre dor inicial e solidão posterior. Por ser observacional, não prova que uma condição cause a outra. O resultado apoia investigar a convivência durante o cuidado.
Espiritualidade e Dor: Fé, Esperança e Sentido
Para algumas pessoas, oração, participação religiosa e apoio de sua comunidade são fontes importantes de amparo. Para outras, o sentido está nas relações, na natureza, na arte ou em projetos pessoais. O paciente decide se deseja incluir essa dimensão na consulta.
Uma revisão de 20 estudos encontrou possíveis associações entre espiritualidade e adaptação psicológica à dor. Outra revisão, focada em dor musculoesquelética, encontrou evidência limitada e resultados conflitantes sobre intensidade da dor e incapacidade. Melhor enfrentamento não equivale a cura ou analgesia garantida.
A conversa pode começar com: “O que lhe dá força?”, “Sua fé oferece conforto ou também traz angústia?” e “Você gostaria de apoio nessa área?”. Se a pessoa desejar, o cuidado pode incluir contato com alguém de confiança de sua comunidade.
Dor não é prova de pouca fé, culpa ou fracasso pessoal. Acolher sofrimento espiritual não significa impor crenças nem substituir avaliação médica, reabilitação ou medicamentos indicados.

Atividades Sociais: Como Retomar a Participação
Em uma pesquisa com 2.528 adultos acompanhados por nove anos, maior diversidade de atividades sociais se associou a menor solidão. A relação com dor foi indireta, ligada à solidão; não houve associação direta significativa com dor crônica. Esses dados não demonstram que uma atividade social específica trate a dor.
Como possibilidades para discutir no plano de cuidado, pense em encontros curtos com amigos, grupos de leitura, atividades comunitárias ou paroquiais e voluntariado adaptado. O objetivo é encontrar atividades significativas, acessíveis e compatíveis com a capacidade atual.
Um exemplo é retomar uma conversa com um amigo em local com assento e transporte viável. Outro é participar de uma reunião por vídeo quando sair de casa é difícil. São exemplos de adaptação, não uma prescrição universal ou uma obrigação de socializar.
Existe um Desequilíbrio Biopsicossocial e Espiritual?
A expressão pode ajudar a descrever necessidades que ficaram sem cuidado, mas não é um diagnóstico nem uma fórmula que explica toda dor. Os quatro aspectos não precisam contribuir igualmente em todas as pessoas.
Em vez de perguntar qual dimensão está “errada”, podemos perguntar: o que precisa ser investigado no corpo, o que está causando sofrimento, quais barreiras dificultam o cuidado e o que a pessoa gostaria de recuperar em sua vida?
Como Levar Essa Abordagem para a Consulta
Leve exemplos do impacto da dor: dificuldades para dormir, trabalhar, caminhar ou conviver. Conte quais tratamentos ajudaram, quais trouxeram efeitos indesejados e quais atividades você considera importantes. As metas devem ser construídas com você.
Combine com a equipe como acompanhar a evolução. Além da intensidade da dor, observe participação nas atividades e autonomia. O cuidado físico, psicológico, social e espiritual deve ser coordenado conforme a necessidade e a escolha individual.
Sintomas novos ou progressivos precisam de avaliação. Fraqueza progressiva, perda do controle urinário ou intestinal e dormência na região íntima exigem atendimento urgente; não devem ser atribuídos a um desequilíbrio emocional ou espiritual.
Perguntas Frequentes
O que significa biopsicossocial?
Significa considerar a interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais na compreensão da saúde e da dor.
Dor crônica é apenas emocional?
Não. A dor é real e pode envolver diferentes mecanismos. Investigar emoções não substitui a avaliação do corpo.
Espiritualidade é o mesmo que religião?
Não necessariamente. Pode incluir religião, mas também valores, sentido de vida e conexão com outras pessoas.
Preciso ter religião para receber esse cuidado?
Não. Suas crenças e sua decisão de abordar ou não a espiritualidade devem ser respeitadas.
A fé pode curar a dor crônica?
Não há base para prometer cura pela fé. Ela pode ser fonte de apoio para algumas pessoas, como parte do cuidado.
Solidão causa dor?
Estudos encontram associações entre solidão e dor, mas não permitem atribuir a causa da dor de uma pessoa à solidão.
Atividades sociais substituem fisioterapia?
Não. A participação social pode integrar o plano, conforme as necessidades, sem substituir tratamentos indicados.
Que atividade social devo escolher?
Uma atividade que faça sentido para você e possa ser adaptada às suas condições físicas, financeiras e de acesso.
Desequilíbrio espiritual é um diagnóstico de dor?
Não. Essa expressão não identifica a causa da dor nem substitui uma avaliação clínica.
O que fazer se minha família não compreende minha dor?
Converse sobre dificuldades concretas e formas de ajuda. Se você desejar, a equipe pode incluir familiares na orientação.
Avaliação e Acompanhamento
O Dr. Juan Aquino atende em Botafogo e na Barra da Tijuca. A avaliação da coluna pode ajudar a organizar a investigação e discutir o cuidado junto aos profissionais necessários.
Leia Também
Dor crônica: causas e tratamentos · Dor crônica e depressão · Fibromialgia
Fontes e Referências
IASP. Definição e terminologia da dor.
NICE NG193. Avaliação centrada na pessoa com dor crônica.
Ferreira-Valente e colaboradores. Religiosidade, espiritualidade e dor: revisão sistemática.
Najem e colaboradores. Crenças religiosas e dor musculoesquelética: revisão sistemática.
Associações longitudinais entre solidão e dor.
Lee e colaboradores. Diversidade de atividades sociais, solidão e dor crônica, 2023.