Dr. Juan Aquino

Por Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência

Quesitos para perícia médica judicial são perguntas técnicas apresentadas ao perito. Eles ajudam a delimitar diagnóstico, capacidade, duração, nexo causal, tratamentos e prognóstico. Quesitos genéricos, repetitivos ou jurídicos demais costumam produzir respostas pouco úteis.

O advogado apresenta os quesitos no processo. O assistente técnico médico pode ajudar a formulá-los de modo compatível com a controvérsia clínica, tanto para a parte autora quanto para a parte ré.

O que são quesitos periciais?

São perguntas formais dirigidas ao perito nomeado pelo juiz. O Código de Processo Civil permite que as partes indiquem assistentes técnicos e apresentem quesitos dentro do prazo processual. Também podem existir quesitos do próprio juízo e pedidos posteriores de esclarecimento.

A finalidade não é induzir uma resposta, mas obter explicação fundamentada sobre os pontos médicos que influenciam a controvérsia.

Como elaborar bons quesitos?

  • comece pelo objeto da ação e pela decisão que determinou a perícia;
  • use uma pergunta por item;
  • empregue termos médicos claros e definidos;
  • relacione a pergunta aos documentos dos autos;
  • diferencie diagnóstico, deficiência, incapacidade e sequela;
  • peça fundamentação e indique o método de avaliação;
  • evite conclusões jurídicas que cabem ao juiz;
  • não repita a mesma pergunta com palavras diferentes.

Quesito útil: “Quais achados objetivos sustentam a existência ou ausência de incapacidade para as tarefas habituais?”
Quesito inadequado: “O autor merece ganhar o benefício?”

Exemplos de quesitos médicos gerais

  1. Qual é o diagnóstico atual e quais elementos clínicos e documentais o sustentam?
  2. Há correlação entre sintomas, exame físico e exames complementares?
  3. Existem limitações funcionais objetivas? Quais?
  4. As limitações interferem nas tarefas da atividade habitual? De que maneira?
  5. Há incapacidade? Em caso positivo, é total ou parcial, temporária ou permanente?
  6. Qual é a data provável de início da doença e da incapacidade, e em quais elementos se baseia?
  7. Há possibilidade de tratamento, adaptação ou reabilitação profissional?
  8. Quais atividades permanecem preservadas?
  9. Existe prognóstico de melhora e em qual intervalo deve ocorrer reavaliação?
  10. Os documentos analisados foram suficientes? Há necessidade de avaliação complementar?

Exemplos para a parte autora

  • As exigências reais da profissão são compatíveis com as limitações encontradas?
  • A manutenção da atividade habitual pode aumentar risco de agravamento ou acidente?
  • Os tratamentos realizados foram adequados e produziram resposta suficiente para retorno?
  • A capacidade para atividades simples da vida diária equivale à capacidade para jornada profissional regular?
  • Há necessidade de pausas, mudança de postura ou ausência frequente incompatível com o trabalho habitual?
  • A data indicada nos registros médicos é compatível com o início provável da incapacidade?

Essas perguntas não devem pressupor que existe incapacidade. Elas pedem ao perito que confronte achados, documentos e tarefas.

Exemplos para a parte ré

  • Quais achados objetivos impedem cada tarefa descrita pela parte autora?
  • Existem atividades preservadas ou possibilidade de adaptação?
  • Os exames mostram alteração compatível com a intensidade das limitações alegadas?
  • Há doença preexistente, degenerativa ou fatores não ocupacionais relevantes?
  • Existe adesão ao tratamento e foram esgotadas medidas terapêuticas razoáveis?
  • A incapacidade alegada é para a função habitual ou para qualquer atividade?
  • Há inconsistências entre documentos, história, exame e desempenho funcional observado?

A parte ré também não deve formular quesitos ofensivos ou partir da premissa de simulação. A análise deve permanecer objetiva.

Quesitos sobre nexo causal e concausa

  1. Qual exposição ocupacional está sendo considerada e há documentação das tarefas?
  2. Existe mecanismo biologicamente plausível entre a exposição e a doença?
  3. A cronologia é compatível com nexo causal?
  4. Há fatores pessoais, degenerativos ou extraocupacionais relevantes?
  5. O trabalho atuou como causa, concausa, agravante ou não apresentou contribuição demonstrável?
  6. É possível estimar a intensidade da contribuição laboral e fundamentar essa conclusão?
  7. Houve acidente típico, mudança súbita de sintomas ou apenas evolução progressiva?
  8. A retirada da exposição modificou a evolução de forma documentada?

Veja também doença ocupacional da coluna, CAT e nexo causal.

O que fazer depois que o laudo é apresentado?

O assistente técnico deve conferir se o perito respondeu aos quesitos, identificou os documentos usados, descreveu o exame, separou diagnóstico de incapacidade e explicou eventuais divergências. Lacunas podem justificar pedido de esclarecimentos pelo advogado.

Discordar da conclusão não basta. A manifestação técnica precisa apontar erro, omissão, contradição, método inadequado ou evidência não considerada.

Assistência técnica com o Dr. Juan Aquino

Em processos relacionados à ortopedia e coluna, o Dr. Juan Aquino pode analisar os autos, auxiliar na elaboração de quesitos, acompanhar a prova quando cabível e produzir parecer técnico para parte autora ou ré. A atuação depende de análise prévia, prazo adequado, competência técnica e ausência de conflito de interesse.

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Perguntas frequentes

Quem apresenta os quesitos ao processo?

A parte os apresenta por meio de seu advogado. O assistente técnico médico pode auxiliar na elaboração das perguntas clínicas.

Quesitos podem ser feitos depois da perícia?

O CPC prevê quesitos e esclarecimentos em momentos processuais específicos. O advogado deve conferir o prazo e a forma aplicável.

Quanto mais quesitos, melhor?

Não. Perguntas excessivas e repetitivas podem dispersar a análise. Qualidade e pertinência são mais importantes.

Posso perguntar se a pessoa tem direito ao benefício?

Essa é uma conclusão jurídica. O quesito médico deve abordar incapacidade, duração, função, nexo e prognóstico.

Os quesitos do autor e do réu precisam ser opostos?

Não. Ambos podem buscar esclarecimento objetivo. A diferença está nos pontos controvertidos que cada parte precisa testar.

O perito é obrigado a responder tudo?

Deve responder aos quesitos pertinentes e admitidos, fundamentando o laudo. Perguntas impertinentes podem ser indeferidas pelo juiz.

Fontes oficiais e data de revisão

Conteúdo revisado em 18 de outubro de 2026 com base nos artigos sobre prova pericial da Lei nº 13.105/2015 — Código de Processo Civil e na Resolução CFM nº 2.430/2025.