Dr. Juan Aquino

Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência.

O neuroestimulador DRG utiliza impulsos elétricos próximos ao gânglio da raiz dorsal para modular sinais de dor. Pode ser considerado em pacientes selecionados com dor neuropática persistente e localizada, após tratamento adequado sem controle suficiente.

DRG vem de dorsal root ganglion. A proposta é aliviar a dor e melhorar a função. A indicação exige diagnóstico, discussão de alternativas e acompanhamento.

Neste Artigo

Comparação com marcapasso · Bateria e manutenção

O Que É o DRG?

Quando Considerar?

DRG, Medular ou Sacral?

Dois Artigos Científicos

Teste e Implante

Riscos e Cuidados

Perguntas Frequentes

O Que É o Gânglio da Raiz Dorsal?

É um agrupamento de corpos de neurônios sensitivos junto à raiz nervosa, próximo à saída do nervo da coluna. Participa da transmissão de informações sensoriais, incluindo sinais relacionados à dor.

Eletrodos posicionados perto desse gânglio conectam-se a um gerador. A estimulação pode alcançar territórios específicos, como parte do pé ou da perna. Não é uma injeção nem uma destruição do nervo.

Na neuralgia pós-herpética, a discussão sobre DRG deve reconhecer que a evidência é limitada e não equivale à de outras indicações. O implante não é tratamento do zóster ativo. Consulte também neuroestimulação medular para neuralgia pós-herpética; radiofrequência pulsada no gânglio e estimulação DRG por eletrodos são procedimentos distintos.

Quando o Neuroestimulador DRG Pode Ser Considerado?

A evidência comparativa mais consistente envolve síndrome da dor regional complexa (SDRC) e causalgia nos membros inferiores. Causalgia é uma condição dolorosa associada à lesão de nervo, também denominada SDRC tipo II.

Dor localizada após trauma ou cirurgia e alguns quadros de dor na virilha ou pelve também são estudados. A evidência varia conforme o diagnóstico: esses usos não devem receber automaticamente a mesma expectativa dos resultados em SDRC.

Na avaliação, é importante mapear a área dolorosa, revisar tratamentos, compreender limitações e definir metas. Veja o conteúdo sobre neuroestimulação na dor regional complexa.

Qual a Diferença entre DRG, Estimulação Medular e Sacral?

TécnicaAlvoObjetivo principal
DRGGânglio da raiz dorsalModular dor em territórios localizados, conforme diagnóstico.
Estimulação medular (SCS)Estruturas próximas à medula, com eletrodos epiduraisTratar determinados quadros de dor crônica refratária.
Neuromodulação sacralNervos sacraisTratar problemas urinários ou intestinais selecionados.

A escolha depende do problema e do território a tratar. Consulte os guias de neuroestimulador medular e neuromodulação sacral. São tratamentos com indicações diferentes.

O Que Mostram os Artigos Científicos?

1. ACCURATE: Comparação com Estimulação Medular

Deer e colaboradores, Pain, 2017: ensaio randomizado com 152 participantes com SDRC ou causalgia nos membros inferiores. Aos três meses, o sucesso terapêutico foi de 81,2% no grupo DRG e 55,7% no grupo de estimulação medular convencional. O critério combinava redução da dor de pelo menos 50% e ausência de déficit neurológico relacionado à estimulação.

Houve acompanhamento até 12 meses. O resultado se aplica à população e à tecnologia comparadas; não demonstra superioridade sobre todos os sistemas atuais ou para qualquer tipo de dor. É importante considerar também o envolvimento da indústria no estudo.

Ler o artigo ACCURATE no PubMed. Pain. 2017;158(4):669–681. DOI: 10.1097/j.pain.0000000000000814.

2. Huygen e Colaboradores: Análise Conjunta de Estudos

Huygen e colaboradores, Neuromodulation, 2020: reuniram dados de estudos prospectivos sobre DRG em diferentes condições de dor crônica. A análise encontrou melhora da dor e de medidas relatadas pelos pacientes, apoiando a investigação da técnica em territórios dolorosos específicos.

A diversidade de diagnósticos e desenhos dos estudos limita generalizações. Uma análise conjunta não oferece o mesmo grau de certeza de um ensaio randomizado para cada indicação. O trabalho também declara vínculos com a indústria.

Effectiveness and Safety of Dorsal Root Ganglion Stimulation for the Treatment of Chronic Pain: A Pooled Analysis. Neuromodulation. 2020;23(2):213–221. DOI: 10.1111/ner.13074.

Como Funcionam o Teste e o Implante?

A avaliação inclui condições clínicas, expectativas, capacidade de utilizar o aparelho e aspectos psicológicos. Geralmente há uma fase de teste com estimulação temporária antes de decidir sobre o implante definitivo.

Registre dor e atividades relevantes antes e durante o teste: tolerância ao calçado, caminhada ou sono, por exemplo. A resposta ajuda na decisão, mas não garante benefício permanente.

Se houver indicação de implante, o gerador fica sob a pele. São necessários ajustes de programação e seguimento. O cuidado pode continuar incluindo medicamentos, reabilitação e apoio psicológico.

Quais São os Riscos e Cuidados?

Podem ocorrer infecção, sangramento, dor no local do gerador, deslocamento ou fratura dos eletrodos e perda de efeito. Há risco raro de lesão neurológica. Algumas complicações exigem nova cirurgia ou retirada do sistema.

Infecção ativa, risco cirúrgico elevado ou dificuldade para operar o sistema precisam ser avaliados. Medicamentos que interferem na coagulação exigem planejamento: não os suspenda por conta própria.

Ressonância depende do modelo e das condições de todo o sistema. Informe o implante antes de exames e procedimentos, apresente o cartão do dispositivo e consulte a equipe. As restrições iniciais de esforço e movimentos são individualizadas.

DRG É um “Marcapasso para a Dor”?

A expressão “marcapasso na coluna” ou “marcapasso medular” é uma comparação didática: há um pequeno gerador com bateria conectado a eletrodos, que envia pulsos elétricos programados. O objetivo é modular sinais relacionados à dor. O marcapasso cardíaco tem outra função, relacionada ao ritmo do coração.

Na estimulação medular, os eletrodos ficam habitualmente no espaço epidural, fora do tecido da medula; o gerador fica sob a pele. No DRG, o alvo é o gânglio da raiz dorsal. Nenhum desses aparelhos é colocado “dentro da medula” para fazer a dor desaparecer.

No DRG, é mais preciso pensar em um gerador que atua perto de uma estação sensitiva do nervo. A comparação ajuda a entender o aparelho, mas não define uma indicação nem promete cura.

Como Funciona a Bateria do Neuroestimulador?

A bateria fica dentro do gerador implantado sob a pele, geralmente na região do glúteo ou do abdome. O controle externo ajusta funções autorizadas, mas não fornece, por si só, a energia usada continuamente pelo implante.

Recarregável: utiliza um carregador externo sobre a pele, que transfere energia sem abrir a ferida nem conectar fios através da pele. Frequência e duração das recargas dependem do modelo e da programação. A pessoa precisa conseguir posicionar o carregador e seguir a rotina orientada.

Não recarregável, ou livre de recarga: dispensa essa rotina, mas a energia acaba com o uso. O fim da vida útil costuma exigir troca cirúrgica do gerador completo. Os eletrodos podem ser mantidos se estiverem íntegros, adequados e compatíveis, após avaliação.

Não há um prazo único de bateria. Intensidade, frequência, largura dos pulsos, tempo de uso e condições dos eletrodos influenciam o consumo. Mesmo uma bateria recarregável tem vida útil finita. Peça uma estimativa para a programação prevista e pergunte como será acompanhado o nível de carga.

Marcas e Modelos: Exemplos de Sistemas Diferentes

FabricanteExemploBateria e alvo
AbbottEterna / Proclaim XRMedular: Eterna recarregável; Proclaim XR livre de recarga.
MedtronicInceptiv / VantaMedular: Inceptiv recarregável; Vanta livre de recarga.
Boston ScientificWaveWriter Alpha / Alpha PrimeMedular: versões recarregáveis e versões Prime não recarregáveis.
AbbottProclaim DRGEstimulação do gânglio da raiz dorsal; livre de recarga.

São exemplos de portfólios, sem ordem de preferência. Um aparelho medular não é automaticamente um sistema DRG. A escolha deve considerar indicação, eletrodos, suporte, capacidade de recarga e condições de ressonância. Confirme disponibilidade e indicação autorizada do modelo no Brasil com a equipe.

O Proclaim DRG é livre de recarga. Isso não significa bateria eterna: a longevidade depende do consumo e deve ser estimada para o caso. A existência de SCS recarregável de outra linha não significa que essa opção possa ser usada como DRG.

Dor e saúde emocional: leia também Dor Crônica e Depressão: Como Cuidar da Dor e da Saúde Emocional, com informações sobre avaliação, cuidado integrado e a diferença entre o uso de antidepressivos para dor e para depressão.

Perguntas Frequentes

É igual à radiofrequência do gânglio?

Não. O DRG implantável mantém eletrodos ligados a um gerador programável. A radiofrequência é outro procedimento, com técnica e objetivos próprios.

Serve para qualquer dor lombar ou hérnia?

Não. O aparelho não remove uma hérnia nem descomprime uma raiz. Uma causa estrutural tratável deve ser investigada. Dor lombar isolada não é a população estudada no ACCURATE.

E para dor pélvica ou após herpes-zóster?

São situações com evidências e critérios próprios. Leia sobre dor pélvica e endometriose e neuralgia pós-herpética.

Avaliação da Dor no Rio de Janeiro

Leve exames, histórico dos tratamentos e um mapa da dor. Registre o que deseja recuperar na rotina. Uma segunda opinião pode ajudar a esclarecer objetivos e alternativas.

Leia Também

Dor Crônica: Causas e Tratamentos

SDRC e Causalgia: Sintomas e Tratamento

Neuroestimulação para Dor Regional Complexa: Quando Considerar?

Neuroestimulação para Neuralgia Pós-Herpética: Evidências e Limites

Neuroestimulação para Dor Pélvica e Endometriose: Possibilidades e Limites

Neuroestimulador Medular: Indicações, Teste, Riscos e Acompanhamento

Neuromodulação Sacral: Indicações Urinárias, Intestinais e Cuidados

Orientações Complementares

ASPN — Boas práticas para estimulação do DRG (2023); UCLH/NHS — Informações para pacientes; Informações de segurança do fabricante.