A espondilolistese degenerativa L4–L5 acontece quando a quarta vértebra lombar desliza para a frente em relação à quinta por alterações de desgaste. Algumas pessoas não sentem nada; outras desenvolvem dor lombar, dor ou peso nas pernas, formigamento e dificuldade para caminhar por causa da estenose associada.
O tratamento não depende apenas do grau do deslizamento. Sintomas, força, estabilidade da coluna, capacidade de caminhar e resposta às medidas conservadoras são mais importantes. Muitos casos podem ser tratados sem cirurgia. Quando uma operação é necessária, nem todos precisam de artrodese.
O Que É Espondilolistese Degenerativa L4–L5?
“L4–L5” é o segmento entre a quarta e a quinta vértebras lombares. Na espondilolistese degenerativa, o disco perde altura e as articulações facetárias sofrem desgaste. Ligamentos podem se espessar, e o conjunto deixa de controlar o movimento com a mesma eficiência. A vértebra L4 pode então deslizar para a frente sobre L5.
Esse processo é diferente da espondilolistese ístmica associada à espondilólise, na qual existe uma falha ou fratura por estresse em uma parte da vértebra. A forma degenerativa é mais típica após os 50 anos e ocorre com frequência em L4–L5.
O deslizamento pode estreitar o canal vertebral e os locais de passagem das raízes nervosas. Por isso, a condição frequentemente aparece junto com estenose lombar e artrose facetária.

Por Que L4–L5 É um Nível Frequente?
L4–L5 é uma região móvel e submetida a cargas importantes. Com a degeneração do disco e das facetas, pode ocorrer alteração do alinhamento e estreitamento do canal. Isso não significa que esforço ou postura isolados sejam a causa; geralmente existe uma combinação de envelhecimento, anatomia, sobrecarga acumulada e outros fatores.
Mulheres após a menopausa, pessoas com alinhamento facetário predisponente e pacientes com outras alterações degenerativas podem apresentar maior risco. Ainda assim, encontrar espondilolistese em uma radiografia não significa necessariamente doença incapacitante.
Vídeo: Entenda a Espondilolistese
Sintomas da Espondilolistese Degenerativa L4–L5
- Dor lombar, especialmente ao permanecer em pé, caminhar ou estender as costas.
- Dor nas nádegas, coxas ou pernas.
- Peso, queimação ou formigamento nas pernas durante a caminhada.
- Melhora ao sentar ou inclinar o tronco para a frente, quando há estenose associada.
- Sensação de fraqueza, desequilíbrio ou tropeços em quadros neurológicos.
- Redução progressiva da distância que a pessoa consegue caminhar.
A dor pode vir do disco, das facetas, dos músculos ou da compressão nervosa. Algumas pessoas têm apenas dor lombar; outras apresentam principalmente sintomas nas pernas. Há também pacientes com deslizamento visível no exame e pouca ou nenhuma dor.
Pode parecer hérnia de disco L4–L5?
Sim. As duas condições podem causar dor irradiada, formigamento ou fraqueza. Na hérnia de disco L4–L5, uma alteração do disco costuma ser o principal elemento compressivo. Na espondilolistese degenerativa, o estreitamento geralmente resulta da combinação entre deslizamento, artrose facetária, disco e ligamentos.
Dor ou peso nas duas pernas que surge ao caminhar e melhora ao sentar sugere claudicação neurogênica. Veja a explicação específica sobre estenose lombar e dor nas pernas durante a caminhada.
Como É Feito o Diagnóstico?
A avaliação combina história clínica, exame neurológico e imagens. O médico investiga a localização da dor, a distância de caminhada, o que piora ou alivia, a presença de perda de força e o impacto nas atividades diárias.
Radiografias em pé
As radiografias com carga mostram o alinhamento da coluna e permitem medir o deslizamento. Imagens em flexão e extensão podem ser solicitadas para avaliar movimento entre as vértebras, mas o resultado deve ser interpretado em conjunto com o restante do quadro.
Ressonância magnética
A ressonância avalia discos, nervos, canal vertebral, facetas e ligamentos. Ela ajuda a verificar se existe estenose em L4–L5 e se a compressão combina com os sintomas. Consulte também o guia sobre como ler os termos do laudo da ressonância lombar.
Tomografia
A tomografia detalha o osso e pode ser útil no planejamento cirúrgico ou quando há dúvida sobre a anatomia. Ela não substitui automaticamente a ressonância.
Graus da Espondilolistese
| Grau de Meyerding | Percentual aproximado de deslizamento |
|---|---|
| Grau I | Até 25% |
| Grau II | De 25% a 50% |
| Grau III | De 50% a 75% |
| Grau IV | De 75% a 100% |
A maioria das espondilolisteses degenerativas é de baixo grau. Um grau maior não significa automaticamente mais dor nem obrigação de operar. Da mesma forma, um deslizamento pequeno pode ser relevante quando existe estenose importante, instabilidade ou limitação funcional.
Tratamento Sem Cirurgia
Quando não há déficit neurológico progressivo ou sinal de urgência, geralmente se inicia com tratamento conservador. O objetivo é controlar a dor, recuperar força e aumentar a tolerância às atividades.
Fisioterapia e exercícios
O programa pode incluir fortalecimento do tronco e dos membros inferiores, mobilidade do quadril, equilíbrio, condicionamento e progressão da caminhada. Os exercícios devem ser adaptados: movimentos que ajudam um paciente podem agravar outro, especialmente quando há estenose.
Medicamentos
Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser usados por períodos definidos quando apropriados. Pessoas com doença renal, gastrite, risco cardiovascular ou uso de anticoagulantes precisam de avaliação individual. Medicamentos aliviam sintomas, mas não reposicionam a vértebra.
Infiltrações
Uma infiltração guiada por imagem pode ser considerada quando há inflamação de uma raiz nervosa ou participação das articulações facetárias. O efeito varia e não corrige a instabilidade. O procedimento deve ter alvo e objetivo bem definidos.
Veja o artigo completo sobre tratamento sem cirurgia para espondilolistese.
Quando a Cirurgia Pode Ser Indicada?
- Dor ou limitação importante persistente após tratamento conservador bem conduzido.
- Dificuldade progressiva para caminhar por estenose.
- Perda de força ou outro déficit neurológico em evolução.
- Instabilidade relevante compatível com os sintomas.
- Impacto significativo na autonomia, no sono e nas atividades cotidianas.
A decisão não deve ser tomada apenas porque o laudo usa palavras como “deslizamento”, “estenose acentuada” ou “instabilidade”. É preciso definir qual sintoma a cirurgia pretende melhorar e quais riscos existem para aquela pessoa.
Descompressão Sozinha ou Artrodese?
A descompressão libera os nervos retirando estruturas que reduzem o canal. A artrodese acrescenta estabilização com implantes e busca unir as vértebras. Durante muitos anos, a presença de espondilolistese levou com frequência à associação automática das duas técnicas.
Ensaios clínicos e estudos recentes mostraram que, em pacientes selecionados com espondilolistese degenerativa e estenose, a descompressão isolada pode produzir resultados semelhantes à descompressão com artrodese. No acompanhamento de cinco anos do estudo Nordsten-DS, a descompressão isolada foi não inferior à cirurgia com fusão.
Isso não significa que a artrodese deixou de ser indicada. Instabilidade relevante, deformidade, dor mecânica predominante, necessidade de retirada extensa de estruturas estabilizadoras e características anatômicas específicas podem favorecer a fusão. A escolha exige avaliação individual.
| Descompressão isolada | Descompressão com artrodese | |
|---|---|---|
| Objetivo | Liberar os nervos preservando o movimento. | Liberar os nervos e estabilizar o segmento. |
| Pode ser considerada | Em casos selecionados, especialmente sem instabilidade relevante. | Quando a instabilidade, deformidade ou anatomia tornam a estabilização necessária. |
| Porte | Geralmente menor. | Geralmente maior, com implantes e consolidação óssea. |
| Decisão | Depende dos sintomas, imagens em carga, estabilidade, técnica de descompressão e condições do paciente. | |
Quando a fusão é indicada, diferentes acessos podem ser usados, como TLIF, PLIF, LLIF/XLIF ou ALIF. Nenhuma técnica é a melhor para todos. Leia mais no guia sobre artrodese lombar. Se ainda houver dúvida sobre uma indicação, uma segunda opinião em cirurgia de coluna pode ajudar a comparar as alternativas.
A Vértebra Precisa Voltar Totalmente ao Lugar?
Nem sempre. O objetivo principal é melhorar sintomas, liberar os nervos e obter estabilidade quando necessária. Tentar uma correção completa pode aumentar riscos em determinadas situações. A extensão da redução depende do grau, da mobilidade, do alinhamento e da segurança neurológica.
Sinais de Alerta
- Perda súbita ou progressiva de força.
- Dormência na região entre as pernas.
- Dificuldade para urinar ou perda do controle urinário ou fecal.
- Dor intensa associada a febre, infecção recente ou histórico de câncer.
- Piora rápida do equilíbrio ou quedas repetidas.
Esses achados não significam automaticamente necessidade de cirurgia, mas exigem avaliação presencial rápida.
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Perguntas Frequentes
Espondilolistese L4–L5 é grave?
Pode ser assintomática ou causar limitação importante. A gravidade depende mais dos sintomas, do exame neurológico, da estenose e da estabilidade do que apenas do percentual de deslizamento.
O deslizamento pode aumentar?
Pode haver progressão, mas muitos quadros permanecem estáveis. Radiografias seriadas são solicitadas quando a evolução pode modificar a conduta; não precisam ser repetidas sem indicação.
Posso caminhar e fazer academia?
Em geral, manter atividade adaptada é desejável, mas exercícios e cargas devem respeitar os sintomas, a força e o equilíbrio. Em crises ou na presença de déficit neurológico, é necessário ajustar o programa após avaliação.
Toda espondilolistese precisa de artrodese?
Não. Muitos pacientes não precisam de cirurgia. Entre os que precisam operar por estenose, alguns podem ser tratados com descompressão isolada; outros necessitam de artrodese por instabilidade ou características específicas.
A cirurgia minimamente invasiva é sempre melhor?
Não. Técnicas menos invasivas podem reduzir agressão muscular e facilitar a recuperação em casos adequados, mas a abordagem deve permitir descompressão e estabilização suficientes. A escolha depende da anatomia e do objetivo cirúrgico.
Fontes Científicas
- Nordsten-DS: resultados em cinco anos de descompressão isolada ou associada à fusão.
- Recomendações clínicas da AO Spine para cirurgia da espondilolistese degenerativa.
- Ensaio clínico sobre descompressão com ou sem fusão.
- Algoritmo de decisão cirúrgica para espondilolistese degenerativa L4–L5.
Conteúdo informativo. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual.
