Dr. Juan Aquino

Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência.

O risco cirúrgico para cirurgia de coluna é uma avaliação da saúde do paciente em conjunto com o procedimento planejado. Ele ajuda a identificar problemas que precisam de tratamento, selecionar exames e organizar os cuidados antes, durante e depois da operação. Não existe um exame único que dê uma “liberação” com risco zero.

Neste guia, o foco é a avaliação pré-operatória. Para entender possíveis problemas relacionados à operação, como infecção, sangramento e lesão neurológica, leia também riscos e complicações da cirurgia da coluna.

Vídeo: Quando Operar e Quando Não Operar a Coluna

Antes de avaliar como preparar o organismo, é importante esclarecer por que a cirurgia está sendo proposta. O vídeo aborda essa decisão; a avaliação de risco é uma etapa complementar.

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O Que É Risco Cirúrgico?

Na prática, a expressão “fazer o risco cirúrgico” costuma se referir à consulta e ao parecer pré-operatório. A equipe considera o histórico de saúde, os sintomas atuais, a capacidade para realizar atividades e as características da operação.

A avaliação cardiovascular é apenas uma parte desse processo. A diretriz AHA/ACC de 2024 recomenda uma análise em etapas, com ferramentas de estimativa de risco quando indicadas. A finalidade é orientar decisões, e não pedir todos os exames possíveis. [1]

Quem Faz a Avaliação?

  • Cirurgião de coluna: explica indicação, técnica, extensão e urgência da operação, além dos riscos específicos do procedimento.
  • Clínico ou cardiologista, conforme o caso: avalia condições clínicas e cardiovasculares e orienta medidas de preparação.
  • Anestesiologista: revê o histórico, experiências anteriores com anestesia, medicamentos e exame físico, definindo o planejamento anestésico. Pode solicitar exames e outros pareceres quando necessários. [2]

O parecer cardiológico não substitui a avaliação pré-anestésica. Da mesma forma, estar em boas condições clínicas não confirma, por si só, que a cirurgia seja necessária. Essa indicação deve ser discutida com o especialista em coluna.

Quais Exames Podem Ser Solicitados?

A solicitação depende da entrevista, do exame físico, das doenças conhecidas e da operação. Leve resultados anteriores para a equipe verificar o que ainda é útil. Não faça um “pacote de exames” por conta própria.

Avaliação ou ExameO Que Pode Ajudar a Esclarecer
Histórico e exame físicoSintomas atuais, doenças e resposta a anestesias anteriores.
Hemograma e exames de sangue selecionadosQuestões como anemia, função renal ou controle do diabetes, quando pertinentes.
EletrocardiogramaAspectos do funcionamento elétrico do coração, conforme indicação.
Ecocardiograma ou teste de isquemiaPerguntas específicas sobre o coração; não são obrigatórios para todos.
Imagens da colunaDiagnóstico e planejamento da operação; não substituem a avaliação clínica geral.

Segundo a diretriz cardiovascular, testes de esforço ou de isquemia devem ficar reservados a pacientes selecionados. Não são recomendados rotineiramente em pessoas de baixo risco ou com boa capacidade funcional. [1]

Se você não consegue caminhar por causa da dor ou da fraqueza nas pernas, explique isso. Essa limitação não deve ser automaticamente interpretada como falta de capacidade do coração.

Endoscopia e Artrodese Têm o Mesmo Risco?

Não se deve usar a mesma estimativa para toda “cirurgia de coluna”. A equipe precisa conhecer o procedimento, os níveis envolvidos, o tempo previsto e as condições do paciente. Uma classificação genérica não responde a todas essas perguntas.

Também não é correto prometer ausência de risco porque o corte é pequeno. Para entender os objetivos de cada técnica, veja endoscopia ou artrodese e anestesia na endoscopia da coluna.

Quais Medicamentos Precisam Ser Suspensos ou Ajustados?

Não suspenda nem substitua medicamentos por conta própria. Na cirurgia de coluna, é necessário equilibrar o risco de sangramento com o de infarto, AVC ou trombose. Leve nomes, doses, horários e motivo de uso. Peça um plano escrito com a última dose antes da operação e a data ou condição para retomar cada medicamento.

AAS e Outros Antiagregantes: o Risco Cardiovascular Muda a Decisão

AAS (aspirina), clopidogrel, prasugrel e ticagrelor reduzem a agregação das plaquetas. Não existe uma ordem universal de suspender AAS para todos os pacientes. Quando usado apenas para prevenção primária, sem evento cardiovascular prévio, sua interrupção pode ser indicada. Em quem teve infarto, AVC ou angioplastia, a decisão exige maior cuidado.

Se você tem stent coronariano, informe a data do implante e leve o relatório. Sempre que possível, considera-se manter AAS, mas o risco hemorrágico específico da cirurgia precisa ser avaliado. Interromper a proteção após stent recente pode ser perigoso; em algumas situações, é mais seguro adiar uma cirurgia eletiva. Cirurgião, cardiologista e anestesiologista devem combinar a conduta com o paciente. Os intervalos de suspensão diferem entre os antiagregantes. [4]

Anticoagulantes e Heparina: Não São Todos Iguais

Varfarina, rivaroxabana, apixabana, edoxabana e dabigatrana geralmente precisam de interrupção planejada para operações com risco significativo de sangramento. O intervalo depende do medicamento, da função dos rins, do procedimento e do motivo da anticoagulação. Com varfarina, pode ser necessário verificar o INR. A retomada depende do controle do sangramento e do risco de trombose. [5]

“Fazer ponte” com heparina não é obrigatório para todo paciente. Essa substituição temporária pode aumentar o sangramento e fica reservada a situações selecionadas de alto risco trombótico. Não troque seu anticoagulante por injeções sem prescrição. [1,5]

Heparina não fracionada e heparinas de baixo peso molecular, como enoxaparina, também exigem planejamento. Dose preventiva e dose de tratamento têm intervalos diferentes; função renal, horário da última aplicação e eventual anestesia raquidiana, peridural ou cateter mudam as regras. A retirada de um cateter também precisa ser coordenada. A prevenção de trombose depois da cirurgia é uma decisão própria, equilibrada com o risco de hematoma. [6]

Diabetes: Quais Remédios Merecem Atenção?

  • Dapagliflozina, empagliflozina e outros inibidores de SGLT2: precisam ser suspensos antecipadamente em cirurgias eletivas, pelo risco de cetoacidose mesmo sem glicose muito elevada. A recomendação usual é 3 dias, ou 4 dias para ertugliflozina; a equipe deve confirmar o cronograma e a retomada.
  • Metformina e outros antidiabéticos orais: em geral são suspensos no dia da cirurgia, com ajustes conforme jejum, função renal e protocolo assistencial.
  • Insulina: costuma exigir ajuste, não suspensão indiscriminada. No diabetes tipo 1, a insulina basal não deve ser simplesmente retirada, mesmo em jejum. O plano deve incluir monitorização da glicose e tratamento de hipoglicemia. [7]
  • Semaglutida, liraglutida e medicamentos semelhantes, incluindo tirzepatida: avise com antecedência. A decisão depende de sintomas digestivos, fase de aumento de dose e risco de aspiração. Não existe uma regra única de suspensão para todas as pessoas. A equipe pode orientar dieta líquida por 24 horas, ajustes anestésicos ou adiamento em casos selecionados. [8]

Informe também anti-inflamatórios, suplementos, produtos naturais e uso de nicotina. Veja o guia de preparação para cirurgia: diabetes, tabagismo e saúde óssea. Este planejamento é para cirurgia eletiva. Em urgências, pode não haver tempo para aguardar os intervalos habituais; a equipe define medidas específicas.

Consentimento Informado: Mais que Assinar um Termo

O consentimento é uma conversa sobre indicação, benefícios esperados, riscos relevantes, alternativas e consequências de não operar. Inclui anestesia, possível necessidade de transfusão e dúvidas do paciente, em linguagem compreensível. O termo registra essa conversa; não garante resultado nem elimina a responsabilidade profissional. [10]

Testemunhas de Jeová: Escolhas Individuais e Planejamento

Não é adequado dividir pacientes em “tipos” fixos de Testemunhas de Jeová. A equipe deve perguntar, sem pressupor, quais produtos e procedimentos cada pessoa aceita ou recusa. A decisão precisa ser livre, privada e registrada, sem substituir a vontade de um adulto capaz pela opinião de familiares ou representantes religiosos.

  • Discutir separadamente sangue total, componentes sanguíneos, frações e medicamentos derivados do sangue.
  • Esclarecer técnicas com o próprio sangue, como recuperação intraoperatória, e as condições que o paciente aceita, inclusive quanto ao circuito.
  • Registrar limites, alternativas e conduta em caso de hemorragia; revisar eventual diretiva antecipada de vontade antes da internação.
  • Avaliar anemia e possibilidades de conservar sangue com antecedência, conforme indicação e recursos disponíveis. Nenhuma estratégia garante que uma transfusão jamais será necessária.

O STF, no Tema 1069, reconheceu a recusa religiosa por pessoa em pleno gozo da capacidade civil, desde que inequívoca, livre e esclarecida, inclusive por diretivas antecipadas. A tese também condiciona o procedimento alternativo no sistema público à viabilidade técnico-científica e à anuência da equipe. Não se deve prometer uma cirurgia sem sangue antes dessa avaliação. [9]

Crianças, adolescentes e situações sem manifestação válida de vontade exigem análise específica; a regra para adulto capaz não deve ser automaticamente aplicada a esses casos. Por isso, o assunto deve ser resolvido no planejamento, com equipe, hospital e apoio ético-jurídico quando necessário.

O Que Significa o Resultado?

Um parecer favorável significa que o caso foi avaliado dentro das informações disponíveis e que há um plano de cuidados. Não elimina complicações nem garante o resultado da cirurgia.

O resultado pode apontar necessidade de complementar a investigação, tratar uma condição antes de uma cirurgia eletiva ou planejar vigilância mais próxima. A decisão considera também o benefício esperado e o risco de adiar o tratamento.

Se aparecer um sintoma novo depois da avaliação, comunique à equipe. Dor no peito, falta de ar importante ou desmaio exigem atendimento imediato, sem esperar pela consulta agendada.

Checklist para Levar à Avaliação

Salve este checklist e leve as informações à consulta:

  • Nome da cirurgia proposta, região e níveis da coluna, se já definidos.
  • Exames anteriores e relatórios dos médicos que acompanham você.
  • Lista completa de medicamentos e doses em uso, suplementos e alergias.
  • Histórico de cirurgias, internações e problemas com anestesia.
  • Descrição do que consegue fazer no dia a dia e do que limita suas atividades.
  • Perguntas sobre preparo, jejum, medicações e necessidade de ajuda após a alta.

Para registrar suas dúvidas, use também a ficha para a consulta antes da cirurgia.

Perguntas Frequentes

O Risco Cirúrgico Tem Validade de 30 Dias?

Não há um prazo único aplicável a todas as situações. A atualidade do parecer e dos exames depende do quadro clínico, da operação e dos critérios da equipe e do hospital. Mudanças na saúde podem exigir nova avaliação, mesmo com exames recentes.

A Idade Sozinha Impede a Cirurgia?

A idade deve ser considerada junto com a saúde geral, a autonomia, o benefício esperado e o porte da operação. A decisão não deve se basear apenas na data de nascimento.

ASA É a Mesma Coisa que Risco Cardiológico?

Não. A classificação ASA descreve o estado físico do paciente no contexto anestésico. Índices de risco cardíaco respondem a outra pergunta. Nenhum deles, isoladamente, resume todos os riscos da cirurgia ou substitui a avaliação da equipe.

Se o Cardiologista Liberou, Ainda Preciso do Anestesista?

Sim. A avaliação pré-anestésica tem finalidade própria: organizar o cuidado anestésico a partir do histórico, do exame e das particularidades da operação. [2]

Risco Elevado Significa que Não Posso Operar?

Não necessariamente. É preciso entender quais riscos estão elevados, o que pode ser melhorado e qual o benefício ou a urgência da cirurgia. O planejamento é individual, com participação do paciente.

Como Organizar Sua Avaliação

Na consulta com o Dr. Juan Aquino, a indicação e o planejamento da cirurgia de coluna são discutidos para orientar as próximas etapas, incluindo as avaliações clínicas e anestésicas necessárias. Há atendimento presencial no Rio de Janeiro e avaliação inicial online, conforme o caso.

Fontes e Referências

[10] Conselho Federal de Medicina — Recomendação nº 1/2016: consentimento livre e esclarecido.

Conteúdo educativo, revisado em outubro de 2026. A definição de exames, ajustes de medicamentos e condições para operar depende da avaliação individual.

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