Dr. Juan Aquino

Dr. Juan Aquino — Ortopedista e Cirurgião de Coluna | CRM-RJ 52.99624-6 | RQE 28310. Formação e experiência.

Publicado em 21 de outubro de 2026.

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Neymar, Yuri Alberto, Alan Ruschel e Janaína Cavalcante sofreram fraturas na coluna e voltaram ao futebol. Mas as lesões foram diferentes: algumas atingiram uma projeção lateral da vértebra; outras exigiram estabilização cirúrgica. Entender essa diferença ajuda a compreender por que a recuperação pode levar semanas ou meses.

Este artigo detalha os quatro casos a partir de informações públicas e de um relato científico. Para conhecer a avaliação e os tratamentos em geral, consulte o guia de fratura da coluna vertebral. Para outras modalidades, veja 11 atletas que fraturaram a coluna.

Neymar: Fratura de L3 na Copa de 2014

O que aconteceu: em 4 de julho de 2014, nas quartas de final contra a Colômbia, Neymar recebeu uma joelhada de Zúñiga nas costas. O médico da Seleção informou fratura do processo transverso da terceira vértebra lombar, L3. A lesão o retirou da Copa. [1]

Qual parte quebrou: o processo transverso é uma projeção óssea lateral onde se fixam músculos e ligamentos. Não significa que toda a vértebra tenha sido esmagada. Fraturas isoladas dessa estrutura costumam ser estáveis, embora possam provocar muita dor. [11]

Tratamento e recuperação: a conduta divulgada foi conservadora, com cinta para alívio da dor e afastamento dos jogos. A previsão inicial era de quatro a seis semanas, sujeita à evolução. O Barcelona acompanhou a recuperação no Brasil e programou sua continuidade na Espanha a partir de 5 de agosto. [1] [2]

Retorno: Neymar recebeu alta e participou do Troféu Joan Gamper em 18 de agosto de 2014, cerca de seis semanas após a lesão. Esse marco foi um retorno a uma partida amistosa; não é um prazo obrigatório para todas as pessoas com fratura de L3. [3]

Yuri Alberto: Fratura de L1 em 2025

O que aconteceu: após enfrentar o Atlético-MG em 24 de maio de 2025, Yuri Alberto apresentou dor lombar intensa. Os exames identificaram fratura do processo transverso de L1 à direita. O comunicado reproduzido pela imprensa informou que estava medicado, imobilizado e acompanhado pelo departamento médico. [4]

A estrutura lesionada foi semelhante à de Neymar, mas em outro nível: L1 em Yuri, L3 em Neymar. O lance exato não ficou definido na notícia inicial; por isso, não é correto afirmar como fato que a fratura foi causada exclusivamente por contração muscular. [4]

Recuperação: em 12 de julho, o médico do Corinthians descreveu evolução satisfatória e fase de transição com a preparação física. Mesmo perto de 50 dias após a lesão, ele ainda não estava liberado para a partida seguinte. [5]

Retorno: voltou contra o Botafogo em 26 de julho de 2025, aproximadamente dois meses após a fratura. Na entrevista posterior, relatou duas semanas de treino com o grupo antes da partida e algum desconforto após jogar. O relato não deve ser usado como autorização para jogar com dor sem reavaliação. [6]

Entenda melhor a anatomia e a conduta no artigo sobre fratura no processo transverso e o caso de Yuri Alberto.

Alan Ruschel: Cirurgia Após o Acidente

O que aconteceu: Alan Ruschel sofreu uma lesão vertebral no acidente aéreo da Chapecoense, em novembro de 2016. Portanto, é um caso de jogador com fratura na coluna, mas a lesão ocorreu fora de uma partida.

Fratura e cirurgia: a diretora médica do hospital confirmou à imprensa a cirurgia e uma lesão na 12ª vértebra. Houve divergências entre os boletins iniciais divulgados; sem o prontuário, não é adequado atribuir uma classificação exata, quantidade de parafusos ou níveis de artrodese. O ponto documentado é que houve tratamento cirúrgico e preservação da perspectiva de movimento das pernas. [7]

Recuperação: o retorno ocorreu ao longo de meses. A Chapecoense registra a volta no amistoso contra o Barcelona, em agosto de 2017, e a continuidade da carreira, com 50 jogos pelo clube alcançados em 2019. A recuperação envolvia o contexto de um trauma grave, diferente das fraturas isoladas do processo transverso. [8]

Janaína Cavalcante: Fratura Instável e Retorno

O que aconteceu: Janaína Queiroz Cavalcante contou que se lesionou em 2011, quando defendia o Santos, após uma disputa aérea. A entrevista autorizada publicada por seu cirurgião vincula o episódio a um relato científico. [9]

Detalhes da fratura: o estudo descreve fratura de T12 com ruptura dos ligamentos posteriores entre T11 e T12, por mecanismo de flexão-distração, classificada como AO B2. A jogadora não apresentava déficit neurológico, mas a lesão era mecanicamente instável. [10]

Por que houve cirurgia: foi realizada fixação posterior e artrodese de T11–T12, com enxerto ósseo. O objetivo era estabilizar o segmento. O caso mostra que conseguir movimentar as pernas não exclui uma fratura instável. [10]

Recuperação documentada: a reabilitação começou duas semanas após a cirurgia, com restrições de rotação e flexão do tronco. As atividades foram ampliadas progressivamente. A liberação para o futebol profissional ocorreu após seis meses. Aos quatro anos de seguimento, o estudo descreveu fusão consolidada e manutenção das atividades esportivas. Trata-se de um resultado individual. [10]

Por Que as Recuperações Foram Diferentes?

A palavra “fratura” reúne lesões muito diferentes. A estabilidade óssea e ligamentar, o estado dos nervos, outras lesões e a exigência física do esporte influenciam a decisão. Uma fratura pode precisar de cirurgia mesmo sem paralisia; outras podem ser tratadas sem operação. [11]

JogadorLesão divulgadaMarco da recuperação
NeymarProcesso transverso de L3Amistoso após cerca de 6 semanas
Yuri AlbertoProcesso transverso direito de L1Partida após cerca de 2 meses
Alan RuschelFratura vertebral tratada cirurgicamente após acidente aéreoRetorno em agosto de 2017
Janaína CavalcanteT12 e ruptura ligamentar T11–T12Liberação após 6 meses de recuperação

Os marcos da tabela vêm das fontes citadas em cada caso. Não comparam diretamente a gravidade nem preveem o resultado de outro paciente.

Quando é Possível Voltar a Jogar?

A revisão de 2024 sobre retorno ao esporte destaca a escassez de evidência de alta qualidade para definir prazos universais. A decisão combina o tipo de fratura, a evolução clínica, os exames quando indicados e as demandas da modalidade. [12]

Em geral, a liberação exige ausência de dor lombar, exame neurológico preservado e recuperação de força e mobilidade. Caminhar, correr, chutar e disputar bolas são exigências diferentes: estar apto a uma delas não libera automaticamente as demais. [12]

A progressão deve ser supervisionada, com reavaliação se a dor reaparecer. Leia sobre fisioterapia para a coluna e leve ao especialista os exames e as orientações recebidas.

Quando Procurar Urgência

Dor intensa após queda ou pancada, fraqueza, dormência ou alteração para urinar exigem avaliação urgente. Em suspeita de trauma da coluna, não force o jogador a levantar nem tente “colocar a coluna no lugar”. Acione a equipe de emergência para atendimento e transporte seguros. [11]

Perguntas Frequentes

A fratura de Neymar foi uma hérnia de disco?
Não. O diagnóstico divulgado foi uma fratura óssea do processo transverso de L3. Hérnia de disco é outra condição. [1]

As fraturas de Neymar e Yuri foram iguais?
Atingiram o mesmo tipo de estrutura, mas em níveis distintos. Evolução da dor, capacidade física e liberação médica também variaram. [1] [4]

Quem opera a coluna nunca mais pode jogar?
Os casos de Alan e Janaína mostram que o retorno pode ocorrer. A decisão depende da lesão, do procedimento e da recuperação individual. [8] [10]

Posso usar o prazo de um jogador para voltar à minha pelada?
Não. Os prazos publicados são históricos individuais, não critérios de liberação. A avaliação precisa considerar sua fratura e sua capacidade funcional. [12]

Avaliação da Fratura e da Recuperação

Se você já recebeu o diagnóstico de fratura vertebral e precisa entender o tratamento ou o retorno às atividades, uma avaliação da coluna pode esclarecer a estabilidade da lesão e os próximos passos. Situações agudas com sinais de alerta devem ser atendidas na urgência.

Fontes e Referências

[1] Neymar: diagnóstico e declaração do médico da Seleção — ge, 04/07/2014.

[2] Neymar: acompanhamento da recuperação — FC Barcelona.

[3] FC Barcelona: registro da alta da lesão nas costas e participação no Troféu Joan Gamper.

[4] Yuri Alberto: comunicado do Corinthians reproduzido pelo ge, 25/05/2025.

[5] Yuri Alberto: explicação do médico do clube sobre a recuperação, 12/07/2025.

[6] Yuri Alberto: entrevista após o retorno — ge, 27/07/2025.

[7] Alan Ruschel: informação da diretora médica do hospital — UOL, 01/12/2016.

[8] Chapecoense: Alan Ruschel completa 50 jogos.

[9] Janaína Cavalcante: entrevista pública autorizada no site do Dr. Alberto Gotfryd.

[10] Gotfryd e colaboradores. Fratura de Chance no futebol feminino. Einstein, 2016. DOI: 10.1590/S1679-45082016RC3432.

[11] AAOS: fraturas da coluna torácica e lombar.

[12] Bonsignore-Opp e colaboradores. Retorno ao esporte após fraturas lombares. Revisão, 2024.

Fontes consultadas em 21 de outubro de 2026. Os casos são apresentados a partir de registros públicos, sem acesso aos prontuários e sem relação de atendimento ou endosso dos atletas ao autor.

Foto de capa: Neymar em Brasil x Camarões, em 23 de junho de 2014, antes da lesão. Danilo Borges/Portal da Copa, via Wikimedia Commons — CC BY 3.0. Arquivo original sem alterações.

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